Como é que é? Eu quero!

A casa é pequena, a sala foi disposta de forma a receber os convidados especiais. Não são muitos, se bem que espaçosos e barulhentos. Sobre a mesa esperam pequenos pratos coloridos acompanhados de copos cobertos de aventureiros de banda desenhada – os seus preferidos.
Preparei este lanche especialmente para eles. Ali esperam as iguarias preferidas de cada um. Escolhi um lanche do seu agrado, se bem que saudável.
Tenho uma amiga que tem três filhos. Assim que conheci os miúdos apeguei-me a eles, como se fossem meus sobrinhos de sangue. A vida acabou por nos afastar por alguns meses e, por isso, estou ansiosa por voltar a ver aquelas caritas reguilas.
Pouco tempo levou a que irrompessem pela casa a dentro, brindando cada divisão com uma visita especializada e comentada – “Mudaste a tua cama de sítio!” ou “Aquela fotografia é nova! Quem é?”. Bastaram poucos minutos para perceber porque gosto tanto de estar com crianças. Elas dizem o que querem e pensam com simplicidade e optimismo.
Será por terem um vocabulário mais curto? Seja qual for o motivo, parece-me ser uma fonte inesgotável de conhecimento. A forma afirmativa reduz a necessidade de muito vocabulário e a probabilidade de mal-entendidos.
Quando as crianças querem algo, elas dizem «eu quero», em vez de indicarem tudo o que «não querem». O vocabulário extra transforma-se numa bengala quando apenas sabemos dizer o que «não queremos». Assim, surgem as dificuldades em entender efectivamente o que queremos. Afinal, se nós temos dificuldade em dizê-lo, como poderão os outros entender?
E as crianças? São difíceis de entender? E é fácil fazer-nos entender por elas?
Este lanche acabou por reflectir isso mesmo. Quando nos sentamos à mesa, as crianças rapidamente decidiram o que queriam comer. A minha mãe perguntou ao mais pequeno se ele não queria algo, referindo-se a um dos pratos que tinha em cima da mesa.
O pequeno respondeu com um pronto e risonho: «eu quero aquilo!». A minha mãe continuou com a sua saga incessante de negatividade. Insistiu por mais três vezes com a mesma pergunta.
O miúdo respondeu sempre da mesma forma até que se aborreceu e disse: «oooh, mamã, eu quero aquilo!».
E assim se obtém o que se pretende. Basta pedir o que queremos receber.

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