“Todos os sentidos?”

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E o primeiro dia do workshop chegou finalmente. Saíram bem cedo de casa para estar no litoral norte do país pelas nove. Queriam refrescar-se antes de iniciar o evento às 10 horas.
Chegaram ao hotel, fizeram o check-in e subiram aos quartos. Eram lado a lado e tinham uma varanda sobre o mar. Quando saíam para a varanda sentiam o sal do mar a depositar-se nos lábios, impulsionado pelo rebentar das ondas nas rochas que estavam mesmo por baixo da varanda.
O hotel era muito agradável, estava numa zona calma e junto ao mar. Pareciam estar num cruzeiro. Só faltava sentir o baloiçar do navio a galgar as ondas.
Próximo das dez, desceram para o auditório. Entraram sem fazer barulho e sentaram-se nas cadeiras reservadas ao público.
O palco tinha várias almofadas no chão e ao centro viram um jovem casal a meditar. Estavam os dois descalços, sentados em lótus e de olhos fechados.
A certa altura, ele estendeu as pernas, deitou o tronco sobre estas e repousou assim por alguns segundos. Depois ergueu o tronco, levantou ligeiramente as pernas e rodou sobre si mesmo, ficando de costas para a mulher ainda num estado meditativo profundo.
Encostou as costas no chão e, de seguida, ergueu as pernas, formando um ângulo recto com o tronco. Esticou os braços suavemente para trás e abraçou as pernas da companheira.
«Deve ser a Khya e o Ayur.» – sussurrou a Ana.
A Khya abriu os olhos e pousou as mãos próximo aos ombros dele. Ainda em lótus deitou o tronco sobre os joelhos, subiu ligeiramente o quadril e beijou-o nos lábios. Ele levou as mãos, como apoio, às coxas dela – próximo das nádegas. Num pequeno impulso, ela subiu as pernas e assentou todo o peso do seu corpo nas próprias mãos, até ficar de cabeça para baixo. Os olhos deles estavam presos um no outro. Quase parecia um bailado!
Lentamente desenrolou e esticou as pernas, percebendo-se o início de uma curvatura nas suas costas. Os pés dele foram ao encontro do quadril dela, enquanto ela descia as pernas e pousava suavemente as nádegas na planta dos seus pés. Ali deixou-se ficar desprendida de tudo, leve como um ramo de uma árvore levada pelo vento.
No público, pasmavam-se aqueles quatro por tal liberdade, cumplicidade e beleza. A Ana estava maravilhada com tamanha intimidade. Com aquele bailado a dois percebeu que ser íntimo é conectar-se em liberdade com outro ser. Eles acreditavam um no outro e, por isso mesmo, tudo fluía em harmonia.
A certa altura o Ayur levantou os braços, apoiou os ombros da Khya e desceu-a até si, encostou-a no seu peito e abraçou-a com carinho.
Pouco depois levantaram-se os dois. Ele era ligeiramente mais alto que ela. Ela vestia umas calças largas de algodão branco e uma camisola de alças de algodão roxo. Já ele estava em tronco nu e com umas calças largas de algodão branco.

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in Recria-te!

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