Na praia com… (3)

No post anterior, partilhei parte de uma conversa com a minha grande amiga Cláudia Costa. Nesse post, falamos sobre andar à procura de alguém, dos requisitos que mais valorizamos nesse alguém que tanto procuramos e na necessidade crescente em encontrar pessoas com quem nos identificamos.
Hoje partilho aqui mais um excerto dessa conversa, se bem que a parte em que falamos dos momentos em que insistimos em não valorizar o presente, da importância que damos ao que os outros, alegadamente, pensam sobre nós e de uma desculpa que por vezes usamos para não transformar a nossa vida.
Espero que gostem e que possa contribuir para iluminar o vosso dia!

Mindfulness

CS: Sabes aqueles momentos em que tu percebes: “Fogo, já passei aqui tantas vezes e nunca tinha visto isto.” Ali na estação, estava à espera do comboio e vi umas flores lindíssimas – aliás, viste a imagem que partilhei no Instagram ontem?
CC: O amor-perfeito?
CS: Não sei, não sei como se chama! Mas são lindíssimas. O jardim cheio de flores! (puxei do telemóvel e mostrei-lhe as fotografias)
CC: Muito giro. E onde é que era?
CS: Ali na estação, na plataforma sentido porto-aveiro. Fiquei mesmo admirada. Passei por ali tantas vezes e nunca tinha visto. É mesmo lindo! Não sei até que ponto pertence à estação ou à casa amarela que tem ao lado. Enfim, tomei consciência que andamos tão atarefados com o dia-a-dia que nem nos damos conta destes presentes da natureza.
CC: Esse é o trabalho que o mindfulness faz. Reparar em tudo que está ali à nossa volta, no momento em que acontece. Estar no momento.
CS: Sim, para estares mais consciente do que se passa à tua volta; não só consciente de quem és, mas também…
CC: Do que está a acontecer no momento
CS: Exactamente.
CC: Em vez de estares a pensar no passado ou no futuro.
CS: Sim, pois! Nós por vezes bloqueamos, não é?
CC: Ah!?
CS: Nós por vezes bloqueamos num determinado momento, ou então bloqueamos numa determinada necessidade, ou bloqueamos num determinado desejo. Sabes como é, aquela coisa de sairmos do comboio a pensar na morte da bezerra e a bezerra tem nome e cara e corpo…
CC: Oh, é verdade!
CS: Acredita, percebi naquele momento que tinha mesmo que voltar a meditar todos os dias, como fazia antigamente. Estou a perder muita coisa gira, por não conseguir sair da minha própria cabeça. (risos)

Somos o que achamos que os outros acham de nós

CC: Há pouco (transcrito no post do dia 13.10.2018), quando estávamos a falar da mente, ia introduzir um tema, entretanto a conversa sofreu um desvio. Penso que foi o Jay Shetty que disse isto, por isso diz o que pensas. Desconstrói, por favor! Ele disse que “Nós somos aquilo que nós achamos que os outros acham de nós”.
CS: Foi ele que disse isso?
CC: Sim. Isso, para mim, faz todo o sentido. As pessoas olham para mim de uma determinada forma e eu incorporo essa cena. E se calhar não é nada disso.
CS: Primeiro, tu és o que tu pensas.
CC: Mas eu sou o que penso que os outros pensam de mim?
CS: Não. Tu és o que tu pensas. Se tu pensas que os outros pensam de ti uma determinada coisa, isso passa a ser um pensamento teu. Porque tu estás a pensar o que os outros pensam de ti.
CC: Pois! E isso condiciona os nossos comportamentos.
CS: Certo. O mais curioso é que tu nunca podes dizer com certeza que tu sabes o que os outros pensam de ti.
CC: Sim. É o que eu acho que eles pensam.
CS: Mas se é o que tu achas que os outros pensam de ti, quer dizer que é algo que tu achas de ti mesma. Logo, tu passas a ser isso.
CC: Sim, é isso que ele quer dizer.
CS: Então, muda o teu pensamento em relação a ti, que o pensamento dos outros (ou melhor, o pensamento que tu tens do pensamento dos outros sobre ti) também mudará!
CC: Simples assim!
CS: Simples e difícil! Nós complicamos tanto a vida, que as coisas simples são sempre as mais difíceis de resolver. (risos)

Aceitar ou transformar?

CS: Será que esta necessidade de me aceitar choca com a necessidade de cuidar do meu templo?
CC: Acho que não.
CS: Eu também acho que não. Só que nós podemos colocar esta questão: então se é para me aceitar como eu sou, porque é que hei-de mudar? Porque há muita gente que questiona isso.
CC: Sim, mas isso pode ser uma desculpa para não mudar aquilo que alguém sente necessidade de mudar.
CS: Pois! A pessoa não quer mudar, mas sente essa necessidade e usa isso como desculpa para não o fazer. Tens toda a razão nisso.
CC: O acto de cuidar de nós mostra que gostamos de nós. Aceitar-te como és e ao mesmo tempo agredires quem és com o descuido, não é amar a ti mesmo.
CS: E o facto de tu não cuidares de ti e do teu templo sagrado, agride quem és.
CC: E isso mostra pouco amor-próprio.
CS: Sim. A verdade é que há muito quem o faça. Já me surgiram algumas pessoas em sessões de coaching que o fizeram. E isso só demonstra que aquelas pessoas não se aceitam verdadeiramente. Porque quando tu te aceitas verdadeiramente, aceitas o melhor e o pior de ti.
CC: E vemos qual é o ponto de partida para algo melhor.
CS: E dessa forma aceitas também o potencial de evolução que tens. Então, porquê manter-me como estou se eu tenho um determinado potencial de evolução? Porquê manter-me no rés-do-chão, quando posso subir ao primeiro, segundo, terceiro ou quarto andar? Lá de cima, a paisagem é sempre mais abrangente!
CC: Pois, podes aceitar quem és e como és, mas também podes evoluir.
CS: Dizer o contrário é iludires-te. Esta ilusão que nos cega e impede de sermos a melhor versão de nós mesmos!
CC: Mas a mudança não é fácil e, por vezes, dói!
CS: Parece-me que a dor é uma das formas usadas, hoje em dia, para forçar a transformação necessária para nos adaptarmos à transição da 3ª para a 5ª dimensão. Esta transição já está a acontecer.
CC: Talvez por isso tantas pessoas procurem cada vez mais aprender a lidar com o seu lado mais emocional e espiritual.
CS: Sim, talvez. Esse querer aprender ajuda à transição e faz com que algumas pessoas estejam a viver esta fase com alguma fluidez, se bem que grande parte das pessoas continuam muito ligadas à terra. Estas são as pessoas que mais ajuda precisam, pois estão a ser forçadas a despertar, através do conflito e da dor.
CC: Mas essa ligação à terra é muito boa. Sempre achei que é importante estar enraizada.
CS: Sim, é óptima. Todavia, isso também nos impede de voar, porque para não perder essa ligação ao que conhecemos e somos capazes de compreender, nós não nos permitimos voar, flutuar entre mundos.
CC: Pois! Mas hoje em dia temos muito medo do desconhecido, por isso é mais fácil agarrar-nos ao que conhecemos, em vez de nos aventurarmos.
CS: É verdade. Temos muito medo do que não conhecemos. A verdade é que a transição já está em curso. Quando chegar o momento desse desconhecido ser a nossa realidade, aquilo que fazia sentido para nós, deixa de ser compreensível e cria uma sensação de perda, perda de sentido, de lógica. Aquelas pessoas que já perceberam que é bom estarmos enraizados e, ao mesmo tempo, sabem que é fundamental flutuar pelos outros mundos para perceber de que forma poderemos desvendar em nós o ser que se adequa àquela nova realidade, têm maior facilidade em lidar com esta transformação.
CC: Mas isso é muito complicado. Como é que nós podemos… o que é que podemos fazer?
CS: É complicado. É difícil. A verdade é que estamos apenas a fazer o caminho de volta ao que nos é essencial. Por isso, precisamos ser cada vez mais como as árvores, que têm as raízes enterradas na terra, para beber a energia que vem desta, se bem que mantêm os ramos bem elevados ao céu. As árvores fazem a ligação entre o céu e a terra. O que está a acontecer com esta passagem da 3ª para a 5ª dimensão é que está a ser potenciada uma mudança de paradigma do ser humano. Há que desvendar a árvore que temos em nós, para que possamos acordar essa ligação entre o mundo e o corpo denso em que vivemos com o mundo e o corpo etéreo, que constitui a nossa essência, a pérola que protegemos atrás da persona ilusória que criamos quando crescemos. Hoje há que encontrar o portal de unificação entre a 3ª e a 5ª dimensão.

E por aqui ficamos nesta conversa. Outras surgirão, com certeza. Quem sabe já no próximo mês. Estas conversas acontecem naturalmente e ajudam-nos a clarificar as nossas ideias, a iluminar o nosso caminho e a desvendar o que nos é mais essencial. Quem sabe, estas conversas são a forma que encontramos para fazermos a nossa transição entre a 3ª e 5ª dimensão?!

Que vos parece, alargar estas conversas a vocês? Que vos parece uma tertúlia até ao final do ano com as Cláudias?

Comentem e deixem o registo do vosso interesse!

Sejam felizes!

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