Amor incondicional: existe ou não existe?

Amor incondicional… será que existe? Ou será apenas uma ilusão?
Há quem diga que sim, que o amor verdadeiro é incondicional. E há quem diga que o amor é sempre condicional, uma vez que colocamos condições, mesmo àqueles que amamos.
Por muito que entenda os argumentos de quem nega a existência do amor incondicional, acredito que o facto de colocarmos limites não quer dizer que estejamos a condicionar o amor que temos por alguém. O que estamos a fazer é a definir, para nós e para os outros, o que podem esperar de nós e o que não podem esperar.
Amar incondicionalmente não é permitir que os outros façam tudo o que querem. O facto de definir os nossos limites é a demonstração de que nos amamos e quando os partilhamos com os nossos entes queridos estamos apenas a demonstrar que, mesmo correndo o risco de os afastar de nós, acreditamos no amor que nos une. Este amor leva-nos a ser autênticos, aceitando quem somos e quem os outros são. Os limites fazem parte do ser que somos. Assim, estamos a dar-nos a 100% àquela pessoa, ou seja, incondicionalmente.
O amor incondicional passa por respeitar quem somos e quem o outro é. De que forma podemos amar alguém, se não somos capazes de aceitar os limites que fazem parte dessa pessoa? Amar não é dar tudo e de todas as formas.
Pensar que clarificar os nossos limites é condicionar o amor pode levar a relacionamentos doentios e manipuladores. Clarificar os nossos limites é apenas dar-nos a conhecer. Somos todos diferentes e, contrariamente ao que a fantasia mostra, o amor não consiste em que duas pessoas se transformem numa. O amor é energia, a energia que nos é vital. Amar é partilhar incondicionalmente essa energia com os nossos entes queridos. Essa energia vive em cada acto, cada palavra, cada limite, pois parte dessa energia é assumir os nossos limites, é assumir o nosso amor-próprio.
Por exemplo, toda a gente diz que o amor de uma mãe é incondicional. E até uma mãe impõe limites aos seus filhos. Caso contrário, eles não respeitam ninguém, nem mesmo a si mesmos. Isso é amor. Deixar uma criança fazer tudo o que ela quer, não é amor. Mesmo assim, podemos deixar uma criança ser livre de fazer as coisas, desde que partilhemos com ela, logo à partida, o que estamos dispostos a aceitar e o que não estamos dispostos a aceitar dessa criança.
Esta liberdade é amor, pois estamos a educá-la para viver em sociedade. Ela consegue, desta forma, perceber como pode viver em sociedade de uma forma saudável e livre. Estamos a dizer-lhe: sê livre, corre à vontade. Por outras palavras, uma criança pode correr livremente na praia, se bem que convém que esteja avisada que o mar é maravilhoso e muito forte e perigoso, por isso há que respeitá-lo, ou seja, a criança deve pedir ajuda quando quiser entrar no mar. Ela anda à vontade, livremente, e ao mesmo tempo tem limites que a protegem.
Amar incondicionalmente é respeitar, libertar, proteger e partilhar quem somos e quem os outros são.
Enfim, ama-te, ama os outros e acredita que quem amas te ama e te aceita como és, até com limites.

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