Uma menina chamada Sabedoria


Era uma vez uma menina chamada Sabedoria. Ela era tímida e quieta. Tinha olhos grandes e penetrantes. As pessoas sentiam-se invadidas por aquela luz forte e estranha. As outras crianças tinham medo dela. Mantinham-se à distância. Não queriam brincar com ela, não queriam ser amigas dela.
Mesmo assim, não estava sozinha. Os animais amavam-na. Cães, gatos, pássaros, esquilos – todos a amavam. Mesmo os animais mais perigosos se sentavam ao seu lado e ficavam a brincar ou apenas a observar a sua respiração; observando e sonhando.
Ela era uma sonhadora! Ela estava sempre a voar, dentro da própria mente, contando histórias e conversando com seus amigos mais próximos, os animais. Era tão estranho. Gatos ao lado de cães, sem brigas ou medo. Sentiam-se seguros e em paz com sua natureza.
Aquela menina cresceu e se tornou a menina”estranha” da escola, do bairro. Onde quer que fosse, era seguida pelos amigos de quatro patas.
As pessoas viam-na como uma ameaça. Ela era doce com as crianças; preocupava-se com as pessoas idosas; era compassiva com os adultos; era uma garota boa, bonita e estranha. E o que os outros viam era a estranheza que mostrava nas suas acções.
As pessoas não aceitavam nem entendiam uma jovem a brincar com crianças na rua. Ela corria, ria, jogava bola ou falava com as crianças na rua. Era estranho. Tudo o que ela fazia era considerado estranho. Como poderia cuidar dos idosos ou respeitar os adultos? Por que estava sempre a falar com os animais? Aqueles animais protegiam-na e seguiam-na, só para ouvir o que ela tinha a dizer naquele dia.
No entanto, o que mais os assustava era a felicidade que vivia em solidão. Ela estava sempre sozinha, não tinha amigos. As meninas de sua idade não queriam sair com ela e ainda assim ela era feliz. A vida era boa para ela, ela era alegre, amorosa, pacífica. E isso era estranho! Como eles poderiam entender?
Passavam a vida à procura de amor, felicidade, realização e não o conseguiam. No entanto, essa estranha jovem era feliz, sem qualquer esforço. Como poderiam confiar em alguém assim? Apenas passaram a vida a julgar tudo o que ela fazia e não fazia.
E assim, não viviam! Mantinham o cérebro e o coração a bombear, porém a alma vivia aprisionada pelo medo e preconceito. Como poderiam encontrar felicidade, alegria, amor e realização com vidas tão sem sentido?

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