Eu amo-te!

Fevereiro chegou-me assim
Assim…
Nem sei bem como definir.
Recordei-me do fim de uma “relação”
Quer dizer, não foi bem do fim
Foi mais de uma pergunta que me fiz muitas vezes durante a “relação”
Será que ele me ama?
Esta pergunta era um vaivém constante.
Eu precisava de o ouvir dizer que me amava e ele precisava de me ouvir dizer que o amava.
Ontem e hoje, essa necessidade invadiu-me sem dó nem piedade!
Dei-me conta que não a sinto mais.
Devo estar louca – pensei.
Não. Não estou louca!
Apenas me libertei desse sentimento de carência, que muitas vezes temos nas nossas relações.
Aliás, libertei-me no momento em que decidi abrir mão de um amor que pensei não poder viver sem!
Falo do amor dele e, passados dois anos, a viver sem, continuo aqui, viva e cada vez melhor!
Este regresso ao passado…
Pensei estar a entrar numa espiral melancólica.
Pensei, estarei a ter uma recaída?
O mais curioso é que, em vez de melancolia, senti apenas paz!
Quero deixar claro que é maravilhoso ouvir a pessoa que amo dizer que me ama!
A verdade é que não é uma necessidade! Nem deve ser!
A paz veio com a consciência do mais importante numa relação: a partilha!
O amor é apenas energia, a nossa energia. E só se transforma numa relação genuína quando existe uma ligação sincera e profunda entre o eu e o tu. Essa ligação alimenta-se do amor que cada um é e vive na partilha que o eu e o tu se permitem ser como nós!
O sentimento de carência, que sentia nessa “relação”, era motivada pela falta de ligação entre eu e ele. Havia apenas um sentimento de posse e aquela necessidade de ouvir a frase “amo-te” era apenas a prisão que nos mantinha crentes dessa ilusão de que alguém é de alguém.
Quando digo “Eu amo-te”, estou apenas a dizer que parti todas as paredes que impediam o amor que eu sou de transbordar para fora de mim mesma. Parti as paredes que me mantinham presa dentro de uma ilusão egoísta de ser valorizada pelos outros.
Ao transbordar, o amor que sou vai encontrar a sua própria verdade em alguém com quem se identifica. Assim, surge uma ligação com essa pessoa maravilhosa, da qual transborda amor. E é nessa partilha de quem somos de verdade que praticamos os mistérios do amor, que Sócrates fala em O Banquete de Platão.
Eu amo-te é de mim para o outro! É esse o sentido do amor. Sempre de dentro para fora, nunca de fora para dentro! Se desconstruirmos esta frase, ficamos com: Eu amor tu – na prática o amor, se fluir livre, serve de ligação entre o eu e o tu; o amor é a ponte que une dois seres numa partilha de essências!
Ser amor é essência do ser!
Partilhar liberdade é a essência de uma relação!
Amar é fluir livremente pela essência do ser!
Por isso, eu amo-te!

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