Crescer, sempre! E como?


A missão de quem ama não é a de eliminar a cruz para seu bem-amado, mas a de reforçar os seus ombros para que possa carregá-la.
Neylor J. Tonin

Os seres humanos apresentam uma incrível aptidão para o desenvolvimento, que segundo Idalberto Chiavenato (1994) é “a capacidade de aprender novas habilidades, obter novos conhecimentos e modificar atitudes e comportamentos”.
Para Borges-Andrade e Abbad e Mourão (2006) desenvolvimento é o “conjunto de experiências e oportunidades de aprendizagem que apoiam o crescimento pessoal sem utilizar estratégias para direcioná-lo a um caminho profissional específico”.
Ao consultar o dicionário da Porto Editora online pode verificar-se que este define desenvolvimento como “fazer crescer; fazer medrar; aumentar; ampliar; incrementar; melhorar; propagar; expor minuciosamente; tirar consequências de; tirar do invólucro; desembrulhar; tirar o acanhamento a; crescer; progredir; ampliar-se; perder o acanhamento”.
Parece que destas definições a que melhor exprime o sentido de desenvolvimento é “tirar do invólucro”, visto o desenvolvimento ser a capacidade que cada um tem em tirar de dentro de si melhores competências, habilidades e atitudes.
Há quem recorra ao exemplo da transformação de uma lagarta em borboleta para explicar o fenómeno do desenvolvimento humano. Conforme indicações no portal online do PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, através da observação do casulo pode verificar-se que a transformação da lagarta em borboleta tem várias fases, revelando no final apenas as características que a lagarta já continha em si.
Enfim, apenas a lagarta se pode transformar em borboleta, uma vez que é ela o sujeito da transformação. Esta transformação leva tempo e este tem de ser respeitado e completado, pois abrir o casulo para acelerar o processo pode matar a lagarta. Aquele ser rastejante transforma-se numa bela e única borboleta, demonstrando que a lagarta não era apenas um ser rastejante, pois continha em si a possibilidade de voo.
Esta transformação pode transportar-se para o desenvolvimento humano, uma vez que também o ser humano tem capacidades escondidas dentro de si que pode desvendar através do tempo e do processo de desenvolvimento certos.
A verdade é que a sua história, a sua trajectória, os seus significados precedem e configuram cada um como ser único. O desenvolvimento leva tempo, que é diferente do tempo dos programas e das instituições, e este tempo não pode ser apressado indistintamente, sob pena de matar aquilo que se quer produzir.
Aliás, olhando para a actualidade, pode perceber-se que é exactamente a pressa em que a sociedade vive que tem provocado a insatisfação geral dos seres humanos, que se frustram com a vida que levam. O ser humano de hoje sente-se com pouca habilidade para transformar a sua vida em algo mais significativo e mais expressivo.
Hoje em dia o mundo assenta-se num violento processo de mudança que não respeita o ritmo de cada ser humano, obrigando-o a adaptar-se a essa aceleração em todos os lugares e de todas as formas. Este sentimento de constante desadaptação provoca no Homem uma quebra de energia, criando uma devastação ainda maior que a natural, a devastação da humanidade.
Partindo do princípio que o Homem deve crescer como um todo – aproximando-se assim da visão holística do ser humano –, pode entender-se que o desenvolvimento consiste na descoberta, transformação e promoção de competências pessoais, sociais, familiares e profissionais, visando incrementar o saber (conhecimento), o saber-fazer (habilidade) e o saber-ser (atitude).
A verdade é que para que tal aconteça é necessário subir degrau a degrau. Afinal, o desenvolvimento humano passa por diversas fases desde o nascimento até à morte – entre as quais se encontra o crescimento físico, mental, emocional, social, espiritual, académico e profissional – influenciadas pelas interacções com o meio envolvente. Todas estas fases se complementam e interrelacionam com os três tipos de saber que constituem as competências criativas (conhecimento – saber), comportamentais (atitude – saber-ser) e técnicas (habilidade – saber-fazer).
Desta feita, torna-se fundamental apostar numa educação consciente do ser humano através de processos educativos (no caso das crianças e jovens), formativos (no caso de jovens e adultos) e de sensibilização (para todos os indivíduos) na área:
criativa – eventos que promovam formas criativas e alternativas para lidar com os próprios pensamentos, sentimentos e emoções;
comportamental – eventos que munam o ser humano de ferramentas para lidar com os outros, com o stress social, com os conflitos profissionais e sociais;
técnica – eventos que criem e desenvolvam as ferramentas necessárias para o cumprimento de uma dada tarefa ou função.
Enfim, é cada vez mais fundamental para a sociedade global promover eventos educativos, formativos e de sensibilização que contribuam para o desenvolvimento de seres humanos mais equilibrados e conscientes das suas capacidades, da sua identidade e consequente contribuição para um mundo mais feliz e equilibrado.

“A verdadeira educação consiste em pôr a descoberto ou fazer atualizar o melhor de uma pessoa.
Mahatma Gandhi

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