22.Novembro.2002


Por três vezes tocou. E por três vezes o desliguei. As pernas pesam toneladas. Os olhos custam a abrir. Apetece-me ficar para aqui largada, esquecida no vale dos lençóis. Sinto-me a arrastar para fora da cama. Abro a janela a custo e inspiro fundo. A luz do dia perturba-me a visão de um jardim despido pelo inverno.
Vinte minutos depois já estou debaixo da minha árvore preferida – junto da sepultura da minha avó e do meu tio. Pouso o meu colchão de yoga e sento-me em posição de lótus debaixo dos ramos despidos da árvore que protege a minha avó e o meu tio.
A verdade é que o medo de mais uma visão incompreensível não me permite desligar. Sinto-me cada vez mais estranha e sem bateria. Parece que a energia foge de mim. Estou assim há meses – com um sentimento de tristeza fortalecido por um vazio avassalador. Sinto falta de algo que não sei precisar.

Excerto de “Cor-de-Amor”.

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