Acredita!!!


Hoje, deixei-me divagar…
Depois de uma curta meditação recuei há uns dez anos atrás.
E tudo por causa do amor…
Enfim, da minha visão do amor.
Uma visão muito limitada do amor, diga-se de passagem.
Tinha aquela ideia que o amor é algo inatingível, uma ilusão criada pelas estórias de encantar…
O amor é algo que as pessoas buscam para se entreter e desviar a sua mente, a sua consciência, o seu foco para algo que nunca vão conseguir atingir, mas que os ocupa e afasta de coisas que os perturbam.
Por tudo isto, para mim o amor era algo que provocava sofrimento e desilusão, logo não havia lógica para ir em busca de, nem mesmo conseguia compreender o porquê de tanta energia gasta por causa do amor.
Nessa altura, estava numa fase em que vivia desligada das minhas emoções. Aliás, bem cedo, bloqueei as minhas emoções. Por isso, vivia relacionamentos muito superficiais, sem qualquer ligação emocional com os outros, sem amor.
E não falo apenas de relacionamentos amorosos, falo de todo o tipo de relacionamentos.
A verdade é que vivia relacionamentos muito focada no acto de ter alguém e não no acto de me relacionar de forma genuína com esse alguém.
Talvez por isso, sempre fui um enigma para muita gente, pois não havia uma conexão autêntica entre mim e as pessoas com quem me “relacionava”.
Dez anos depois, vejo o amor de forma completamente diferente.
Nós somos amor! Amor é o que nos articula, é o que nos compõe; é a energia que liga cada um dos mundos que compõe o ser humano – o mundo físico, o mundo mental, o mundo emocional e o mundo espiritual.
O amor é a energia que articula e interliga todos estes mundos e que nos permite ser harmonia. Uma das coisas que mudou na minha visão sobre o amor foi que não precisamos ser equilibrados e harmoniosos para vivermos uma relação amorosa. Porque há pessoas que entram na nossa vida para nos ajudar a questionar algo que nos está a desequilibrar… a questionar crenças, a questionar medos, a questionar atitudes e comportamentos…
Existem na nossa vida para nos ajudar a reequilibrar, a perceber o que é que nos serve e o que é que não nos serve, o que é que nos prejudica e o que é que nos beneficia, o que é que devemos manter e o que é que devemos deixar ir, como é que podemos fluir pela vida e como pode a vida fluir em nós.
Curiosamente, nos dias de hoje, está a ganhar força a ideia de “não posso entrar num relacionamento enquanto não estiver bem, porque vou fazer com que esse relacionamento não funcione ou porque vou magoar alguém”.
Esta dúvida toca-nos a todos e vem bater no grande segredo do amor (segredo mais do que conhecido, se bem que por vezes é surpreendente): o amor não é apenas para as coisas boas; o amor não é só para quando as pessoas estão equilibradas, conseguem ser felizes e ter comportamentos adequados à relação em que estão. O amor é também para os momentos em que temos comportamentos desadequados à relação, porque compreender e aceitar faz parte do amor.
Todos somos amor na sua forma mais pura, autêntica, genuína e vulnerável! A verdade é que há momentos em que nos sentimos em desarmonia e desequilíbrio; por esse motivo temos comportamentos, atitudes, medos, sentimentos, pensamentos que não são propriamente adequados – não são os mais autênticos, os mais genuínos, os mais vulneráveis – são condicionados por tudo aquilo que nos desalinha – medos, dúvidas, julgamentos, culpas que vamos acumulando – e faz com que não estejamos na melhor fase da nossa vida para podermos dar à relação tudo o que ela precisa para ser equilibrada e harmoniosa.
Isso não quer dizer que não possamos estar nessa relação. Podemos e, muito provavelmente, devemos! É imprescindível para nós e para o outro vivenciar esse todo repleto de inseguranças, incoerências, dúvidas e desarmonias. O mais importante é a consciência com que a vivemos. Há que estar consciente de que há momentos em que não estamos capazes de o fazer. E se for preciso recolher e ficar no nosso canto, muito bem! Interiorização é fundamental para promover o nosso equilíbrio!
Se for preciso dar tempo…não falo de dar um tempo, longe do outro; falo de dar tempo um com o outro, para que nos sintamos melhores, mais capazes e tomemos consciência do que é que está a provocar aquela inconstância. Podemos fazê-lo a dois ou com ajuda de terceiros. Seja lá a forma que fizer sentido para nós, tudo isso faz parte de uma relação, do amor, de uma vivência amorosa.
E bloquear um relacionamento antes mesmo de acontecer, porque ainda não nos perdoamos por todos os erros cometidos no passado, é bloquear também a tomada de consciência das aprendizagens que outras vivências amorosas nos trouxeram e negar-se a agradecer e a perdoar!
Se olharmos para trás, se observarmos as relações do passado, é provável que identifiquemos padrões de relação para relação. Padrões são escolhas, tipos de pessoas, erros, que repetimos de relação para relação. E isso torna consciente o que estamos a atrair para nós. Sempre que não tomamos consciência das aprendizagens que cada relação nos traz, a experiência repete-se, até que tomemos consciência da lição!
Esta tomada de consciência é fundamental para o crescimento, para a maturação de quem somos. E, por vezes, precisamos de alguém para nos ajudar a abrir os olhos e a ver a vida de uma outra forma! Pode mesmo tornar-se chocante a forma como tudo acontece!
Sentir uma atracção incompreensível por alguém que não faz, de todo, o nosso género; que vai contra tudo o que sempre procuramos e admiramos numa pessoa; que questiona tudo o que acreditamos fazer sentido para nós… Quebra por completo com o padrão que vivemos – física, emocional, mental e espiritualmente, falando! Não corresponde ao tipo de mulher ou homem a que estamos habituados, não corresponde ao tipo de relação em que facilmente entramos… e mexe connosco de tal forma, que nos transfigura por dentro!
Isso choca! Isso assusta! Mete medo! E leva-nos a negar a relação; primeiro, porque ainda não nos perdoamos pelos erros do passado; segundo, porque não compreendemos o porquê daquela ligação tão forte; e, terceiro, porque não acreditamos que aquela pessoa possa ser feliz com alguém como nós – provavelmente, vamos estragar tudo outra vez; até porque sabemos que temos um comportamento padrão que provoca o fim das relações!
Quantas pessoas no mundo poderão dizer que nunca se sentiram assim?
Não sei! A verdade é que muitos de nós já o viveram, de uma forma ou de outra.
Se voltar a acontecer, pensa: porque razão estará essa pessoa maravilhosa, e por quem tens um carinho e amizade especial, a entrar na tua vida agora, se não fosse capaz de te acompanhar por esse teu período mais conturbado?
Lembra-te que os relacionamentos que vivemos existem para nos ajudar a maturar e a curar as mágoas que trazemos dentro do nosso coração. No amor há uma interajuda, há uma conexão de almas, que estão em constante mutação – esta mutação serve o nosso crescimento, o nosso caminho rumo ao que nos é mais essencial, o amor incondicional.
Este caminho é sinuoso, com obstáculos, com paragens, com recuos… é um caminho que nos obriga a acreditar e, principalmente, que nos obriga a desmistificar crenças, pessoas, culpas, expectativas. Por isso, o amor é uma energia que nos articula pelas vicissitudes da vida.
O amor é a energia que partilhamos através de um toque subtil, de um abraço, de um beijo, do sexo, de compreensão, de aceitação ou de um momento em que apenas sentamos em silêncio um ao lado do outro e ali ficamos.
Tudo o que partilhamos com alguém está impregnado de amor!
A verdade é que podemos olhar para o outro, com olhar de compreensão, de gratidão e aceitação; ou podemos olhar com crítica, culpa e julgamento. Seja como for, a dádiva que nos foi direccionada continua a ser amor, mesmo que não a recebamos como tal! Temos sempre essa escolha, de receber ou de não receber o que nos oferecem!
Se escolheres aceitar o amor que te oferecem, aprecia-o verdadeiramente!
Se escolheres não aceitar, partilha o que estás a sentir, seja o que for.
Provavelmente, vais surpreender-te com a resposta!
O amor flui de uma forma estranha e rara!

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