Sentidos


É só dos sentidos que procede toda a autenticidade, toda a boa consciência, toda a evidência da verdade.
Friedrich Nietzsche

O ser humano associa, com alguma regularidade, novas ideias e acontecimentos à compreensão prévia que tem do Mundo, que provém das inúmeras experiências de vida. Cada uma destas experiências inclui elementos provenientes de uma associação dos sentidos, que consistem nas funções que propiciam os seres vivos de perceber e reconhecer as características do meio ambiente em que se encontram.

Os sentidos básicos do ser humano são cinco – tacto, audição, olfacto, paladar e visão, servindo-se respectivamente dos seguintes órgãos: pele, ouvidos, nariz, língua e olhos.

Tacto
O ser humano inicia a utilização do tacto ainda no decorrer da sétima semana da gravidez. O feto apercebe-se do que o rodeia através do contacto com as paredes do ventre materno. Este é o primeiro sentido a desenvolver-se na vida humana, para além de ser o mais amplo dos sentidos, visto ser a pele o órgão deste sentido.

O tacto é um sentido pouco valorizado hoje em dia, pelo menos conscientemente, se bem que o bebé o utiliza sempre, mesmo quando aprende a reconhecer as coisas e as pessoas com a vista. Um toque ligeiro e amigável é suficiente para influenciar a atitude das pessoas. Sempre que o toque significa apreço, conforto ou confiança, as pessoas reagem positivamente, podendo mesmo conseguir a colaboração de um estranho.

A verdade é que certas formas de contacto são consideradas incómodas, desde pancadas demasiado agressivas de brincadeira até aos contactos forçados acompanhados de comentários críticos. Mesmo um aperto de mão amigável pode ser desagradável se for frouxo e mole, apertado em excesso ou muito demorado.

Audição
A audição é o segundo sentido a ser desenvolvido no humano. Pensa-se que se desenvolve aproximadamente na 20ª semana, havendo mesmo provas que as crianças reconhecem a voz da mãe ainda dentro da barriga. Estudos dos reflexos de sucção dos fetos demonstram que estes chupam o dedo mais rapidamente quando ouvem a voz da mãe.

O órgão deste sentido é o ouvido, tal como indicado anteriormente. Este está dividido em três partes: o ouvido externo, o ouvido médio e o ouvido interno – responsável também pelo equilíbrio. A audição consiste exactamente na entrada das ondas sonoras no ouvido externo, fazendo vibrar o tímpano.

Estas vibrações são transmitidas à cóclea, situado no ouvido interno, pelos três ossículos do ouvido médio. À cóclea compete a passagem dos impulsos ao nervo auditivo, que, por sua vez, os transmite ao cérebro. Dentro do ouvido interno existem três canais semicirculares cheios de líquido, os quais são de extrema importância para a manutenção do equilíbrio do corpo. O ouvido partilha com a garganta a responsabilidade da entrada de ar que equilibra a pressão em ambos os lados do tímpano – a trompa de Eustáquio.

Olfacto
Segundo estudos realizados, o bebé já é capaz de reconhecer o cheiro da mãe no momento do nascimento, por isso o olfacto é tido como o terceiro sentido a surgir na vida humana. O órgão deste sentido é o nariz, que também é o órgão de entrada do sistema respiratório.

A pequena zona de bolbos olfactivos, situados na parte superior da passagem nasal, é a parte do nariz mais sensível aos cheiros. Directamente dos bolbos olfactivos, os estímulos são conduzidos por pequenas fibras nervosas à parte central do cérebro.

Os bolbos olfactivos são extensões do sistema límbico do cérebro. Este sistema processa as emoções e as reacções vegetativas, o que pode levar a que um odor provoque uma resposta rápida e involuntária, como a salivação perante um cheiro apetitoso.

O sistema límbico desempenha também um papel no armazenamento e recuperação de recordações, razão pela qual uma mera brisa de um cheiro relacionado com o passado pode fazer ressurgir ideias e imagens aparentemente esquecidas. O olfacto está também fortemente implicado no despertar dos impulsos sexuais, igualmente ligados ao sistema límbico.

Paladar
O paladar é o sentido que mais participa em todas as actividades humanas, utilizando as cerca de 10000 papilas gustativas da boca – detectores de sabores reforçados pelo olfacto. As papilas gustativas distinguem quatro sabores fundamentais – doce, salgado, azedo (ácido) e amargo.

A presença de corpúsculos gustativos, distribuídos praticamente em toda a mucosa bucal, permite receber os estímulos dos alimentos que ingerimos, quanto à sua forma, consistência e sabor. Também a temperatura e a textura dos alimentos contribuem para o seu sabor geral. Enquanto a sensibilidade aos salgados e aos amargos parece aumentar com a menor temperatura dos alimentos, a sensibilidade ao doce e azedo (ácido) aumenta com o calor.

Visão
A visão é um dos cinco sentidos básicos do ser humano. O órgão deste sentido é o olho. Os olhos são bolsas membranosas cheias de líquido, embutidas em cavidades ósseas do crânio – as órbitas oculares. A estas estão associadas as pálpebras, os super-cílios (sobrancelhas), a conjuntiva, os músculos e o aparelho lacrimal.

As informações recebidas através do sentido da visão acerca das cores, das formas e da profundidade são processadas na parte posterior do cérebro, numa zona denominado córtex visual. Em cada olho, o cristalino foca os raios luminosos sobre a retina em imagem invertida. Os receptores da retina convertem a imagem em impulsos nervosos, que são transmitidos ao quiasma óptico através do nervo óptico.

Metade dos nervos provenientes de cada olho atravessa para o lado oposto do encéfalo e continua, por outras vias, até ao córtex visual. Em resultado deste cruzamento, tudo o que é visto na metade direita do campo visual é transmitido ao hemisfério cerebral esquerdo, e tudo o que se vê no campo visual esquerdo é transmitido ao hemisfério direito. Mesmo assim, outras conexões cerebrais permitem que cada hemisfério tenha conhecimento das percepções do outro.

Enfim, as impressões sensoriais iniciam-se através dos estímulos – factores responsáveis por desencadear tais impressões – e atingem os respectivos receptores, que são estruturas presentes nos órgãos sensoriais aptas a produzir uma reacção intensa e específica diante dos estímulos.

Não há nada na nossa inteligência que não tenha passado pelos sentidos.”
Aristóteles

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