Espelho meu, espelho meu…


Era uma vez…
Quem me dera que fosse uma vez apenas!
Nunca é apenas uma vez…
Tantas vezes julgamos os outros
Confundimos acções com intenções
Magoamos porque nos preocupamos
Queremos o bem-estar dos nossos entes queridos
E por isso, tentamos a todo o custo protegê-los.
Curioso!
Levados pela preocupação, julgamos eventos, comportamentos e pessoas.
O amor motiva-nos a ocupar-nos do bem-estar de quem amamos!
O ego, o medo, leva-nos a preocupar-nos com tudo o que, no nosso entender, pode provocar mal-estar a quem amamos.
Para quê preocupar com o bem-estar dos outros, se podemos ocupar-nos do seu bem-estar?
Preocupação é uma ocupação antes do tempo, antes do momento certo para nos ocuparmos de algo.
Estou a falar dos outros, se bem que também acontece com o Eu.
Quando queremos algo e não o fazemos porque nos preocupamos com o resultado, as consequências, os efeitos da obtenção desse algo…
Isto é ocupar-nos com algo que ainda não aconteceu, em vez de apreciar o que efectivamente está a acontecer!
Tenho caído muitas vezes neste ciclo vicioso de pré-ocupação!
Sabem o que acontece?
Acabo por não fazer o que faz sentido para mim e, a maior parte das vezes, nem sei o que vivi em determinadas fases, porque passei pelas experiências focada no que não quero que aconteça, em vez de apreciar o que estou a viver.
E isso acontece vezes sem conta, em coisas tão simples como sair com os amigos ou ir à praia depois do trabalho ou dar-me um tempo só meu…
Várias vezes ouvi homens e mulheres a falar sobre a dificuldade que sentem em sair com os amigos, quando estão num relacionamento ou casamento. Evitam combinar sair com os amigos para evitar conflitos com o (a) companheiro (a). E porque razão pensam que o (a) companheiro (a) não aceitará essa saída? Já saíram e sentiram isso na pele ou apenas pensam que isso vai acontecer? Ou será que não gostariam que a (o) companheira (o) o também o fizesse?
Se nós vemos o acto de sair com os amigos como uma forma de fugir ao relacionamento ou como uma forma de voltar à vida de solteiro, então é mais do que natural que pensemos que os outros também pensam o mesmo e, por isso, não nos sentimos à vontade de sair com os nossos amigos.
Estar atento ao que pensamos ser a provável consequência dos nossos actos ajuda-nos a ter maior consciência de crenças que limitam a nossa liberdade e a liberdade daqueles que amamos – por outras palavras, é importante perceber de que forma é que o facto de tirarmos conclusões sobre o que os outros vão pensar sobre as nossas acções pode demonstrar o nosso pensamento em relação a situações similares.
Mais importante ainda do que temer as consequências dos nossos actos ou de alertar os outros para o perigo de determinadas acções ou, mesmo, perceber o porquê de pensarmos algo, é apreciar e saborear o que vivemos e verdadeiramente apreciar as experiências que a vida nos dá e as pessoas com quem as vivemos. Afinal, sair com os amigos, ir à praia, estar sozinho, dar-nos tempo para escapar à rotina que a vida nos traz é fundamental para mantermos a nossa sanidade mental e a nossa felicidade. Logo, ao fazê-lo estamos a melhorar o nosso relacionamento com os outros, pois estamos a melhorar o relacionamento connosco mesmos.
Por isso, “espelho meu espelho meu” que crenças identifico eu?

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