A vida a dois é uma utopia!


Durante décadas, a tradição foi casar cedo, ter muitos filhos e viver 60 ou 70 anos com a mesma pessoa ao nosso lado.
Até que a morte nos separe!
O objectivo era ser a mulher ou o homem de alguém.
Depois, veio o oposto, com o amor livre…
Ter vários companheiros e ser de nenhum.
Nas últimas três décadas, vivemos uma época em que passamos a vida em busca de um amor-perfeito, uma vivência a dois, digno de um conto de fadas, acabando por casar tarde, ter poucos filhos e passar por divórcios complicados.
Aqui o objectivo é experimentar parceiros sexuais até encontrar a perfeição, para no final ser a mulher ou o homem de alguém.
E também há quem não case nem tenha filhos e, por isso, vive frustrado por não ser mulher ou homem de alguém.
Temos alguma alternativa ou temos que escolher uma destas opções?
Temos alternativa…
Podemos ser nós mesmos!
Foi para isso que nascemos!
Não nascemos para ser mulher ou homem de alguém.
Não nascemos para ser de alguém.
Quando muito, nascemos para partilhar quem somos com alguém.
Fomos educados para casar e aceitar tudo o que essa ideia de ser mulher ou homem de alguém acarreta.
A verdade é que está na hora de perceber que não nascemos para isso.
Nós nascemos para ser nós mesmos!
E se assim entendermos, escolher partilhar quem somos com outro alguém, porém o eu e o tu não deixa de existir para que o nós exista.
Uma relação é uma vivência a três, contrariamente ao que muita gente possa pensar.
O EU vive em comunhão com o TU e o TU vive em comunhão com o EU. Os dois apreciam-se e desenvolvem-se como NÓS, co-existem como seres livres, independentes e co-criadores de mais uma vida!
O nosso primeiro filho é a relação que co-criamos com outra pessoa!
Por outras palavras, a Pessoa A (EU) une-se à Pessoa B (TU) e criam em conjunto a Pessoa C (NÓS). Estas três pessoas relacionam-se entre si, por isso é fundamental que nenhuma seja anulada, para que exista um relacionamento feliz.
O EU, o TU e o NÓS são três alicerces essenciais para que uma relação floresça, amadureça e se transforme de uma forma saudável, natural, livre e independente.
Uma relação harmoniosa só é possível quando essas três entidades co-existem. Se existir apenas uma ou duas, não será propriamente uma relação em equilíbrio. O que quero dizer é que os três têm que viver em conjunto e em harmonia, pois só assim podemos viver uma relação que dá espaço para que os três existam, que não anula nem tenta anular qualquer uma dessas três entidades que existem de raiz numa relação – aliás, uma relação só existe se existir essa tríade; caso contrário, será uma ralação!
É impossível viver uma relação com outra pessoa sem que essa pessoa tenha o seu espaço e tempo para existir nessa relação. Caso apenas um Eu tenha esse espaço e tempo para existir, não existe o Nós, logo não existe relação. Se queremos ter uma relação com alguém e tentamos anular essa pessoa dentro da relação, estamos a dizer claramente que não queremos viver essa relação com quem temos ao nosso lado e sim com aquilo que nós achamos que essa pessoa deve ser.
E como podemos articular-nos dentro de um triângulo amoroso?
Isto é um passo fundamental para que um relacionamento possa acontecer de forma saudável, livre e independente.
É uma tomada de consciência mais profunda, mais subtil do que racional. Claro que podemos entendê-lo de forma racional, porém se for só a esse nível basta as emoções entraram em ebulição para esse entendimento ficar algo desfocado. Por isso, temos que tomar uma consciência profunda e aceitar essas diferenças de forma genuína para que esse entendimento tenha uma continuidade nas nossas acções. Para que haja um equilíbrio.
Pessoal, lembrem-se sempre: o amor é energia.
A energia que partilhamos com os outros.
Quando estamos num relacionamento, estamos a partilhar toda a energia que somos.
Energia que pode agradar ou desagradar quem nos ama.
Não somos obrigados a agradar sempre… em tudo…
E quem nos ama não é obrigado a gostar de tudo em nós…
Quem ama, ama especialmente os defeitos, pois são estes que dão relevância às virtudes.
A vida é feita de altos e baixos, de momentos agradáveis e desagradáveis, de alegria e de tristeza, de riso e de choro.
A vida não é uma linha recta…
De todo!
Assim que surgir uma linha recta no monitor da nossa vida, é o fim da vida!
Para que exista vida a linha tem que oscilar entre o topo e a base, caso contrário não há vida!
Acabou!
A energia transmutou-se e voltou à sua origem, deixando o nosso corpo sem vida!
Por isso, abraça os altos e baixos da tua vida, pois são eles que dão significado a esta vivência, seja a um, a dois, a três ou a milhões!
Partilha a tua vida com alguém que seja disponível para rir e chorar contigo.
Partilha a tua vida com alguém que seja disponível para apreciar esses altos e baixos contigo.
Partilha a tua vida com alguém que seja feliz com a tua felicidade!
E, principalmente, partilha a tua vida com alguém com quem tu és feliz!
Sê tu mesmo!
Foi para isso que nasceste!
Não foi para agradar nem para ser de A, B ou C.
Nasceste para ser tu mesmo!
Nasceste para ser autêntico, livre e feliz!

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