Prazer sexual, paixão ou amor?


A vivência humana abre caminho a várias experiências relacionais.
Vivemos relacionamentos de amizade, familiares, românticos, sociais, profissionais…
Vivemos relacionamentos com mais ou menos intensidade…
Vivemos relacionamentos com mais ou menos impacto na nossa felicidade…
E foi este impacto que me empurrou para mais uma reflexão sobre relacionamentos.
Escolhi o relacionamento romântico por sentir que é o que mais conflito interior provoca.
Este conflito interior nasce do choque entre o querer e os ideais que cada um adopta.
Há quem se negue a viver um relacionamento com pessoas que não correspondam ao seu ideal;
Há quem se controle para não entrar em relacionamentos em que não exista sentimento;
Há quem decida que não quer ser o terceiro elemento de um relacionamento;
Existem várias razões que nos levam a contrariar o desejo, o sentimento, a vontade de viver um relacionamento.
E estas razões desvendam três tipos de relacionamentos românticos, que se definem por aquilo que os sustenta, ou seja, os relacionamentos românticos assentam no prazer sexual, na paixão e no amor.
Os relacionamentos românticos assentes no prazer sexual distinguem-se dos outros pois não existe sentimento associado à atracção física. Este tipo de relacionamento consiste no apego às necessidades através das sensações que o estímulo físico provoca, sem que exista sentimento!
Por outras palavras, o objectivo deste tipo de relacionamento é satisfazer a necessidade de prazer sexual. Logo, este relacionamento costuma ser de curta duração, nas situações em que se repita mais do que uma vez; neste caso, pode evoluir para uma paixão.
Ao evoluir para uma paixão, passamos a ter como objectivo a satisfação da nossa necessidade de prazer sexual associada à necessidade de atenção, carinho e posse. Afinal, os relacionamentos românticos assentes na paixão pressupõem sentimento associado à atracção física.
A paixão é o apego às necessidades através das emoções e do sentimento de posse!
O relacionamento assente na paixão tem uma duração superior a um relacionamento assente no prazer sexual, se bem que a duração depende sempre da dinâmica criada dentro do próprio relacionamento. Pode sobreviver como paixão durante anos ou evoluir para um relacionamento romântico assente no amor.
Este último também associa o prazer sexual ao sentimento, se bem que não procura satisfazer necessidades. O amor é o desapego das necessidades, é o fluir a dois! Consiste apenas numa escolha consciente do caminho que se pretende trilhar.
Correndo o risco de me repetir, amor e paixão são sentimentos distintos.
Na paixão procuramos intensidade; no amor encontramos intimidade.
A melhor forma de demonstrar esta diferença está no estado que assumimos na paixão ou no amor.
Quando vivemos um relacionamento assente na paixão estamos apaixonados.
Estar apaixonado é estar em paixão com outra pessoa.
Quando vivemos um relacionamento assente no amor estamos enamorados.
Estar enamorado é estar em amor com outra pessoa.
Se olharmos à origem das palavras apaixonar e enamorar, percebemos que existe uma enorme diferença entre estas, se bem que possam ser complementares.
A palavra APAIXONAR é constituída pelo prefixo A, pela palavra PAIXÃO e pelo sufixo AR. Paixão tem origem na palavra grega Pathos, que significa sofrimento. O prefixo A significa afastamento, privação, negação, insuficiência, carência. O sufixo AR significa cruzar, analisar, limpar.
Esta origem empurra-nos para a compreensão do acto de apaixonar como um afastamento de nós mesmos, um virar para fora, privando o nosso ser da nossa atenção, do nosso cuidado, da nossa valorização e negando a nós mesmos o amor que nos carece. Pois, estamos a cruzar essa insuficiência interna com a insuficiência interna de outrem através de uma profunda inconsciência do apego que vivemos.
Por outras palavras, estamos a tentar satisfazer as nossas necessidades através do outro, e, inconscientemente, estamos a chocar com o sofrimento do outro, provocando a tomada de consciência da dor que todo esse movimento para fora nos traz.
Por isso digo que a paixão nos desperta!
A palavra ENAMORAR é constituída pelo prefixo EN, pela palavra AMOR e pelo sufixo AR. Amor tem origem latina e está associado ao acto de semear, se bem que a leitura que faço da palavra é cuidar da semente. O prefixo EN significa movimento para dentro, passagem para um estado ou forma. O sufixo AR, tal como foi dito anteriormente, significa cruzar, analisar, limpar.
Origem curiosa e fundamental para perceber o acto de enamorar como um movimento que retira a nossa atenção do outro e a foca dentro de nós, transformando assim o nosso estado através do cuidado da nossa essência – a nossa semente!
Por outras palavras, ao cuidar da nossa semente permitimos que esta floresça, se expanda e cruze com outras sementes, propagando o perfume sublime de um relacionamento saudável e feliz assente no amor livre que constitui cada um de nós!
Por isso digo que o amor nos eleva!

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