Ego, onde tudo se desenrola!


Um relacionamento é um organismo vivo!
Ele nasce, cresce e transforma-se!
Nasce de nós para nós!
Cresce por nós!
Transforma-se dentro de nós!
O relacionamento romântico floresce para satisfazer as nossas necessidades de prazer; para responder às nossas necessidades de atenção, carinho, admiração e reconhecimento; e para inspirar a entrega e a partilha genuína!
Por isso, o prazer sexual satisfaz; a paixão desperta; o amor eleva!
E, se olharmos para a forma como cada um pode evoluir para o seguinte, desvendamos sete fases de evolução num relacionamento romântico.
Quero deixar claro que esta evolução deixa subentendido que todos eles nascem na primeira fase, mesmo estando a associar um tipo a determinada fase de relacionamento romântico.

Para mim, é do ego que partimos para um relacionamento…
O Ego é onde tudo se desenrola, pois o Eu é o elemento comum no desenvolvimento de um relacionamento.
A segunda fase é a do Destino, onde os acontecimentos da vida nos empurram para uma certa pessoa.
Por outras palavras:
Quando conhecemos alguém e sentimos uma atracção muito forte por essa pessoa, estamos na fase do Ego – sentimos um inexplicável querer estar com essa pessoa.
Quando a vida nos empurra para ela, quase a justificar aquela atracção, entramos na fase do Destino, ou seja, estamos em transição do prazer sexual para uma paixão.
Este empurrão da vida leva-nos a criar uma imagem distorcida daquela pessoa. Assim, entramos na fase da Ilusão. Criamos uma ilusão em cima da imagem que somos capazes de percepcionar dessa pessoa.
Idealizamos o Outro.
Fazemo-lo de uma forma tão intensa, tão arrebatadora, tão doentia, em certo ponto, tão obsessiva, que não conseguimos ver-nos com mais ninguém.
O relacionamento romântico cresce envolto em véus que nos mascaram e escondem quem somos e o que desejamos.
Isto é uma paixão!

A paixão impede-nos de cogitar a possibilidade de estar com outra pessoa, para além daquele por quem estamos apaixonados. Ou seja, estamos com aquela pessoa, porque temos necessidade de a ter.
Curiosamente, a paixão impede-nos de trair – pelo menos nestas fases iniciais. E tudo porque a necessidade de ter a pessoa por quem estamos apaixonados é maior do que a necessidade de satisfazer um apetite sexual.
A verdade é que quando a paixão se esvai, ou adormece, ou o fogo se esfuma, o impacto de cada necessidade sofre uma transformação, o que faz com que sintamos maior vontade de trair, quase como a tentar forçar o fim daquela paixão, que não nos apaixona mais.

Esta transformação corresponde à fase da Consciência.
A Consciência é a fase em que o relacionamento inicia o seu processo de amadurecimento através do conhecimento de si e do Outro. Começamos a desconstruir aquela imagem idealizada do Outro e a tomar consciência do que é real e do que faz sentido para nós.
Como consequência, acontece a fase da Desilusão. Aqui os véus ilusórios caiem um a um, revelando a verdadeira essência. Começamos a ver o outro como é de verdade!
Habitualmente, a quarta e quinta fases são de transição entre a paixão e o amor.
Quando saltamos de uma paixão para um amor, quando começamos a conhecer melhor o outro, começamos a desconstruir a ilusão que criamos em cima daquela percepção.
Este processo de desilusão pode levar ao fim do relacionamento; ou à continuação de uma ralação impregnada pela frustração (situações habituais de quem tem medo da mudança); ou entramos numa relação de amor incondicional e de aceitação do Outro.
E essa aceitação transmuta o relacionamento romântico ao ponto de nos enamorarmos por aquele novo ser que desabrocha à nossa frente, pois deixamos de estar absorvidos pelo nosso ego e passamos a vibrar ao nível do coração.
Isto é amor!

Com esta vibração, evoluímos para a fase do Compromisso, onde nos conectamos de forma autêntica com o Outro e vivemos uma vida significativa e em partilha profunda!
Esta é a grande diferença entre uma paixão e um amor.
Quando nos conectamos de forma autêntica com o Outro e vivemos uma partilha profunda, desprendemo-nos das necessidades!
Livre das necessidades, qualquer vivência que procure responder a uma necessidade não terá o mesmo sabor, não terá o mesmo impacto em nós.
Por exemplo, quando amamos alguém, conseguimos imaginar-nos nos braços de outra pessoa, conseguimos até ter outras experiências sexuais. No entanto, a plenitude que sentimos quando amamos quem amamos é mais forte do que qualquer atração física que possamos ter por outra pessoa. A relação sexual com quem não amamos dá-nos uma satisfação física; dá-nos uma descompressão física. Amar fisicamente quem amamos de coração dá-nos uma plenitude física, mental, emocional e espiritual.
A relação sexual com quem amamos é mais subtil, mais profunda, mais impactante – não tem a mesma intensidade de uma paixão, porque tem um impacto diferente em nós.
Talvez por isso seja habitual, em casais que vivem um amor assim, falarem entre si sobre as pessoas que acham atraentes e por quem sentem atração. Afinal, quem ama vê quem tem à sua volta, aprecia outros homens ou outras mulheres, deseja até (é algo natural, a atração física), porém não carrega pela vida aquele desejo escondido, que a qualquer momento de insatisfação com o companheiro vai empurrar para uma traição.
Não há um controlo de si e das suas sensações para que o companheiro não se dê conta do interesse, do desejo, da atração – há sim, um respeito pelo seu corpo, pelas suas sensações, pela sua natureza e um apreciar da beleza humana na sua plenitude, sem julgamento. Afinal, não faz sentido consumar aquela atração.
Falam abertamente, porque têm consciência que, seja lá o que for que venha de fora, não traz a plenitude que o amor que têm lhes dá.

Ao chegar a esta consciência, o caminho para a sétima fase está iluminado. Na fase do Desprendimento amamos sem necessidade de ter alguém, sem a necessidade de viver intensamente, ou seja, partilhamos amor.
Nesta fase vivemos um amor mais maduro, um amor mais livre, um amor que dá espaço, que dá tempo, que fortalece o outro.
Unimo-nos a uma pessoa de forma a co-criar uma vida em conjunto, em vez de impor a nossa vida a outrem, em vez de obrigar a estar, em vez de culpar o não ser quem queremos que seja.
Partilhamos um amor desinteressado e incondicional.

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