Sete contos para ti!

escrita de ficção, contos

A escrita é vital para mim. É através das palavras que me descubro e reinvento. Inspiro-me nas pessoas, nas experiências, nas oportunidades, nos sentimentos e nas emoções que a vida me oferece a cada dia. Hoje, partilho, no link abaixo, as estórias escritas na última década. Espero que te ajudem a lidar com este momento de recolhimento obrigatório. Grata por te ter na minha vida! Diverte-te!

Sou Amor!

escrita de ficção, contos

«Roma! Parabéns amigo!» «Octávio, já te disse que não me chamo Roma! O meu nome é Amor.» «Ya meu, vou mesmo chamar Amor a um gajo! Que raio de ideia!» - os quatro amigos riem - «Agora vou andar por aí “Oh Amor”. Roma é muito melhor!» (visivelmente incomodado) «Não percebo porquê! É exatamente a mesma palavra, só que ao contrário.» «Roma é muito mais forte, potente, mais de homem…» «E pelo menos não rima com fedor, terror, com…» - avança o Marco. «Estupor, pavor…» - reforça o António. «Horror…» - carrega o Rodrigo. «Pelo menos aprendem palavras novas. A professora de português vai gostar de saber. Mas o meu nome é Amor e não gosto que me tratem por outro nome!»

Recria-te!

escrita de ficção, contos

«Ok. É justo! Só podemos exigir aquilo que somos capazes de cumprir.» - procurava ganhar tempo - «Então, hãããã… Rúben… eu aceitei a tua abordagem por mensagem porque…» - respirou fundo, escondendo o olhar no chão - «Sentia-me sozinha, precisava de atenção, sentia necessidade de ser desejada e enfim… o facto de ser por mensagem fazia sentir-me em segurança.» «Doeu?» «Não. Até me sinto mais aliviada.» «Óptimo! A tarefa que o Rúben escolheu para ti foi a mesma. Estão em sintonia!» - o Ayur a provocar os dois com um sorriso irónico - «Então Rúben? Disposto a cumprir a tarefa?» «Lá terá que ser!» «Podes sempre dizer que não.» «Não… quero cumprir a tarefa! E queria que a Ana fosse verdadeira sobre o que pensou ontem à noite quando vimos aquele fenómeno da natureza mesmo debaixo da varanda do quarto dela.» - inspirou fundo e procurou coragem dentro de si - «Eu pensei nela! Pensei que o mar estava a dizer que somos duas rochas separadas pelas ondas e pela areia, se bem que unidas por um coração gigante e perfeito. E também que o que mais nos separa é também o que mais nos une! Eu não sou perfeito e tu também não… a verdade é que eu adoro as tuas manias de perfeição imperfeita!» «Rúben…» - estava sem palavras. «Não precisas de dizer nada. Temos muito tempo para falar sobre tudo isto. Não será aqui com certeza.»

29.Dezembro.2002

escrita de ficção, romances

Aquela conversa levou a muita gargalhada, gozo e ao primeiro jantar oficial daquela cabana. Aquela primeira noite foi óptima enquanto o Bruno esteve comigo. Depois foi muito complicada. Estava habituada a viver acompanhada. Sempre que precisava desabafar procurava a companhia da minha mana. Até senti falta das várias intromissões da minha mãe.... como ela consegue ser chatinha! Quando estava em casa dos meus pais todas as noites conversava com a Olga. Nas duas primeiras semanas senti muito a falta da minha família, talvez por isso tenha levado tanto tempo a escolher as fotos, que coloquei na parede da sala.

Ouve com a alma!

«Alto lá, noiva o caraças! Eu não estou noiva de ninguém. Nem estou a pensar casar. E da mesma forma que vou trabalhar com ele, posso viver na mesma casa. Afinal, só vamos partilhar a sala, a cozinha e quando muito o escritório. O quarto de dormir e o quarto de banho são diferentes.» «Ai filha, desculpa lá, mas eu não fico descansada… não consigo, qualquer dia chegas a casa e não tens nada. Aquele pessoal é do piorio, estão à espera do momento certo para enganar, roubar e, quem sabe, matar.» «Percebo! Mãe, se vais continuar por esse caminho avisa-me já… prefiro sair antes, porque não te admito que fales do Filipe dessa forma. Ele é o meu melhor amigo, foi o único a estender-me a mão nos momentos em que mais precisei e nunca me exigiu nada em troca. Por isso, guarda os teus preconceitos para ti… eu nem quero sequer pensar no que vai dentro da tua cabeça, quanto mais ouvir o que tens para dizer. Bem, tenho que ir! Pai, eu depois ligo. Avó, eu prometo que volto cá para a levar a conhecer a minha casa. A verdade é que agora o ar nesta casa está irrespirável.»

Óleos essenciais – soluções naturais para o dia-a-dia

escrita técnica, apresentações, terapia sensorial, aromaterapia

Os óleos essenciais são grandes aliados na prevenção e ou tratamento de problemas físicos, psicológicos e energéticos, com vista ao bem-estar e saúde do ser humano.

22.Novembro.2002

escrita de ficção, romances

«Para mim, amor é a capacidade em adaptar-nos à pessoa com que vivemos e permitir que ela tenha o seu espaço, a sua liberdade dentro da relação. Amor é respeito mútuo. Sem isso, a disputa, a intolerância, a invasão de espaço será uma constante na relação.»

A lo mejor, te quiero! (2)

escrita de ficção, contos

Fiquei furioso com ela. Perdi a cabeça. Fiquei mesmo furioso por me estragar a surpresa. Senti-me indesejado – esse sentimento não me deixou pensar e reconhecer que muitas vezes fez o impossível para estarmos juntos. Só pensava que estava a dificultar o nosso reencontro. Fiquei tão furioso que borrei a pintura toda. Magoei-a de uma forma estúpida e infantil. E mais ridículo é que tudo aconteceu por birra – a estupidez natural de um puto com a mania. Tanta mania que podem imaginar a minha cara quando a recepcionista me entregou aquele papel. Pensei em tudo, menos no que era de verdade. Era uma mensagem curta: "Estou lá fora. Elena”. Olhei incrédulo. A pobre mulher viu o desespero no meu olhar. Confirmou com a cabeça. Pedi licença e saí atrás dela.

Como uma sentinela!

escrita de ficção, contos

Na manhã seguinte acordei com um sorriso na cara. Dormi a noite toda, sem sobressaltos e interrupções. Ao espreguiçar-me senti os membros a soltarem-se do peso… senti as pernas a ficarem mais leves. A contracção das minhas costas libertou uma energia boa, leve e estimulante. Há muito tempo que não sentia tanta vontade de sair da cama. Levantei-me, vesti a camisola… nesse momento apercebi-me que a minha camisola de anos tinha um toque suave, agradável e reconfortante. O que me surpreendeu mais foi a forma como saí do tipi. Nos dias anteriores pousava o joelho no chão. Naquele dia não o fiz. Foi inconsciente aquele movimento. Foi natural!

A lo mejor, te quiero!

escrita de ficção, contos

«Tenho. Certeza absoluta. Seria pior se ficasse com ele. Provavelmente iria acabar por dizer coisas que não sinto; posso até pensar, todavia não sinto. Seria um fim-de-semana horrível para mim e para ele.» – pausei por dois segundos – «Tenho que te pedir desculpa por tudo isto. Estou a impor a minha presença, a minha companhia. Não és obrigado a isto. Mal me conheces. Já te atrasei a viagem com aquela cena da tentativa de furto e agora ainda me carregas às costas… desculpa.»

Multiculturalismo e o entendimento entre culturas

escrita técnica, ensaios, transformação pessoal, comunicação não violenta

O conceito de scarcity culture apenas torna claro que vivemos numa sociedade em que não existimos se não estivermos a fazer alguma coisa magnífica, em grande, com visibilidade. Existe a ideia que não interessa porque motivo as pessoas sabem o que fazemos, desde que saibam. Este tipo de cultura é alimentado pela vergonha, pela comparação entre pessoas e pelo descompromisso. A contemporaneidade encontra-se, assim, fragmentada por indivíduos perdidos entre tecnologias desconcertantes e momentos multiculturais, que juntam no mesmo espaço e tempo culturas com costumes diversos e, por vezes, contraditórios. Este abalo estrutural acaba por levar o indivíduo a desligar-se do seu papel na construção de uma sociedade assente no bem comum.

A imagem fantasma em Alberto Caeiro

escrita técnica, ensaios

Esta sincronia pré-pessoal aponta, também, a sensação como imagem fantasma na poesia de Alberto Caeiro, uma vez que «as palavras levam a esperar sensações, assim como a tarde leva a esperar a noite » e «a significação do percebido é apenas uma constelação de imagens que começam a reaparecer sem razão », ou seja, as palavras são aqui o percebido transmutado em imagens que surgem do nada invisível do saber originário – «as imagens ou as sensações mais simples são, em última análise, tudo o que existe para se compreender nas palavras », porque «o nosso campo perceptivo é feito de “coisas” e de “vazios entre as coisas” », mostrando, assim, que «na leitura de um texto a rapidez do olhar torna lacunares as impressões retinianas, e que os dados sensíveis devem portanto ser completados por uma projecção de recordações ». O que pretende aqui dizer é que o sensível está envolto num caos ao qual se impõe um sentido pelo recurso às recordações colocadas em forma de dados.

Onde aflui o ser quando cria?

escrita técnica, artigos

Genet é escritor e é pela palavra que procura abordar o trabalho de Giacometti. Esta ideia de passar da imagem à palavra levanta as primeiras questões que ficam deste texto – Como se aproximar textualmente do objecto artístico? Como transformar imagens, sons ou gestos em palavras? Como fazer ver através da escrita? Ao longo do texto, Genet aproxima-se das imagens de Giacometti, se bem que apelando à fabulação, isto é, projecta histórias e tramas nessas esculturas altivas e poderosas, quase como se estivesse a criar personagens de uma fábula. A descrição que faz das estátuas (mulheres) de bronze de Giacometti demonstra como projecta vida nelas, pois «nenhuma ponta, nenhuma aresta que corte ou rasgue o espaço, nada está morto» . Genet confessa a sua ligação emocional a estas mulheres de bronze ao dizer que «nunca conseguiria evitar o regresso a este povo de sentinelas doiradas – pela pintura – que, atentas, imóveis, velam (…) velam um morto» .

Introspecção

escrita técnica, artigos

Posto isto, questiono: se a consciência está na génese de um ser racional e é constante, não dependendo da vontade do sujeito, como podemos definir a introspecção como um processo mental no qual tomamos consciência dos nossos estados mentais? Poderá a introspecção ser um processo mental no qual observamos a tomada de consciência de determinados estados mentais, que escolhemos para observar intencionalmente? Por outras palavras, a introspecção será apenas uma testemunha dessa tomada de consciência, em vez de ser a tomada de consciência. Desta forma, a introspecção seria sempre a atenção de ordem superior que falava Gilbert Ryle e o caos que referiu – o ciclo vicioso de redefinição constante da atenção de ordem superior – deixaria de fazer sentido.

E então?!

escrita de ficção, contos

«Senhor Santos Camelo, bom-dia, fala Guilherme Sorriso, supervisor do serviço de apoio a clientes. Em que posso ajudá-lo?» «Vocês devem trabalhar muito aí! Devem, devem! Tanto tempo para falar com um “nergumo” qualquer? Palhaçada! Se fizesse o mesmo na minha empresa, já estava no olho da rua!» «Senhor Santos Camelo, em que posso ajudá-lo?» - voz firme e fria. «Não se ponha já com essas merdas, ouça-me primeiro! Vocês só estão aí porque eu vos pago o ordenado. Senão já estavam todos no olho da rua. Pode ser que os outros clientes “bos deixe” falar assim com eles, mas eu não alinho pelo mesmo “pasão”.» «Senhor Santos Camelo, como o senhor mesmo disse, nós trabalhamos muito neste call-center e por isso não podemos estar a perder tempo com insultos. Por isso, se pretende a minha ajuda, por favor vá directo ao assunto.»

Watsu – A leveza da água

escrita técnica, apresentações, terapia corporal, shiatsu

Watsu utiliza os dedos e a região palmar para permitir maior liberdade para o terapeuta trabalhar. Utiliza a leveza do corpo na água para libertar a coluna vertebral, mobilizando articulações, facilitando alongamentos musculares suaves de modo alternativo aos utilizados em terra.

“Pontapé de Saída”

escrita de ficção, contos

«Sofia... há situações muito difíceis de ultrapassar na vida. Quando pensas que te amam e, na realidade, não te amam; apenas querem estar contigo por vaidade ou interesse. Ou então, quando toda a gente que te ama e admira espera que tu sejas bem sucedido, é muito difícil lidar com o insucesso. Sentes que desiludiste o mundo inteiro – pelo menos o teu mundo. E é nesses momentos que percebemos a força de um insucesso. A falta que ele nos faz para percebermos claramente a sorte que temos. Aconteceu-me há bem pouco tempo. Pensei que nunca mais ia conseguir olhar de frente para alguém. Queres saber a melhor? No dia seguinte sentia o corpo pesado e a alma leve, muito leve. Tinha uma alegria dentro de mim impressionante. Sabes porquê?»

Será o livre-arbítrio uma utopia?

escrita técnica, ensaios

Parto para este ensaio com a ideia de que o livre-arbítrio é um estado mental que nos permite acreditar que somos responsáveis pela vida que temos e nos permite ser capazes de ver alternativas de resposta a uma determinada situação, que podem levar a uma escolha, decisão ou acção. O livre-arbítrio não é o resultado, nem uma escolha, nem uma decisão, nem mesmo uma acção. Logo, o livre-arbítrio não é influenciado por condicionantes internas ou externas. O que pretendo concluir é que a crença no livre-arbítrio permite-nos transformar a forma como pensamos, deliberamos e percepcionamos a situação que temos à nossa frente.

“Todos os sentidos?”

escrita de ficção, contos, aromaterapia

O palco tinha várias almofadas no chão e ao centro viram um jovem casal a meditar. Estavam os dois descalços, sentados em lótus e de olhos fechados. A certa altura, ele estendeu as pernas, deitou o tronco sobre estas e repousou assim por alguns segundos. Depois ergueu o tronco, levantou ligeiramente as pernas e rodou sobre si mesmo, ficando de costas para a mulher ainda num estado meditativo profundo. Encostou as costas no chão e, de seguida, ergueu as pernas, formando um ângulo recto com o tronco. Esticou os braços suavemente para trás e abraçou as pernas da companheira.

Será mesmo a acrasia uma fraqueza de vontade?

escrita técnica, ensaios

O problema da acrasia é um problema antigo, muito debatido por filósofos, se bem que por vezes confundido com o vício. E parece-me que é esse o fundamento desta ideia de fraqueza de vontade. Muitas vezes a dependência (de bebida, drogas, tabaco, café, comida, sexo) são vistas como uma acrasia, ou seja, como uma fraqueza de vontade. O desejo de beber ou comer em excesso ou, então, o uso de substâncias alucinogénias ou o cigarro é, no entender de certos pensadores, maior que a razão. Concordo em parte. O desejo é maior que a razão. No entanto, estes desejos não consistem na vontade do agente. Estes desejos são vícios e não momentos acráticos.

Será que uma estrutura intersubjectiva de reconhecimento mútuo pode unir-se a uma acção comunicativa descentrada do mundo, criando assim um claro caminho de entendimento e respeito mútuo?

escrita técnica, ensaios

Marshall Rosenberg defende que a violência, seja na forma como comunicamos, como nos comportamos ou seja na forma como tratamos os outros, nasce da educação punitiva e não da natureza do ser humano, passando uma ideia de necessidade de um trabalho profundo na educação de uma sociedade mais consciente e compreensiva. A ligação que encontrei com Habermas e Honneth vem do facto de Rosenberg defender que a forma mais eficaz de nos conectar com as outras pessoas é aprender como nos expressámos na linguagem da vida e como responder às mensagens que recebemos dos outros. Assim, diz que «In Nonviolent Communication, we try to keep our attention focused by answering two critical questions: What’s alive in us? And what can we do to make life more wonderful?» .

Jejum intermitente

nutrição, terapia corporal

Intermittent Fasting (IF) é uma prática, pois inclui alimentação, exercício e descanso; IF não é para todos – antes demais, há que decidir se é a opção mais adequada às necessidades do praticante; IF exige tempo para percepcionar efeitos práticos; Durante um processo IF, o foco deve ser a qualidade do processo e não o seu resultado; IF requer comida de boa qualidade, nas quantidades certas no momento certo; É fundamental prestar atenção aos sinais que o corpo nos envia;