Desculpem lá! Eu sou assim!

Alguma vez chegaram ao final do dia e sentiram que nem valeria a pena sair da cama? Pois! É esse o sentimento que me preenche o ser. Entretanto o vazio do espaço foi corrompido pela voz barulhenta de uma mulher. Estava acompanhada de outras pessoas, se bem que ela, com a sua atitude bélica e estridente, ocupava os lugares todos daquele café.

Pobres coitados!!!

Estivemos por horas a falar em trabalho, saídas, homens, família, crenças… a crise e mais trabalho; falamos um pouco de tudo, como sempre acontecia quando nos encontrávamos. Isso acontecia poucas vezes. Somos amigas, gostamos muito uma da outra, se bem que somos muito diferentes e a maior parte das vezes acabamos por nos desentender. Essas pequenas questões quase sempre provocam alguns meses de afastamento. Naquele dia foi igual.

Depende da perspectiva

O cheiro do comboio é característico. Nunca se sabe bem a que cheira já que lá dentro se misturam vários aromas… perfumes de todos os gostos e o sentido fechado do comboio mesclam com o nosso odor corporal.

Espelho da alma

Hoje parei junto à montra do pronto-a-vestir, que tantas vezes serviu de espelho para o observar. Procurei a sua figura agradável, a sua expressão de gozo e os seus gestos matinais sob o som descompassado dos meus suspiros.

Fiel? A ti ou ao outro?

Lembrei-me de dizer que a fidelidade é uma ilusão. Caíram todos em cima de mim. “Não sabes o que dizes” gritaram uns. Outros diziam que era completamente louco. E ainda houve quem apontasse o dedo ao facto de não ter relações duradouras. Enfim, todos gritaram e ninguém procurou perceber o que dizia.

Toda a gente sabe…

Pouco tempo passou até que os meus ouvidos captassem uma conversa repleta de muitas convicções surreais, se bem que muito reais para quem as expunha. Quase de rajada, ouvi a frase “toda a gente sabe…” seguida de uma qualquer consideração política ou desportiva.