Ouve com a alma!

«Alto lá, noiva o caraças! Eu não estou noiva de ninguém. Nem estou a pensar casar. E da mesma forma que vou trabalhar com ele, posso viver na mesma casa. Afinal, só vamos partilhar a sala, a cozinha e quando muito o escritório. O quarto de dormir e o quarto de banho são diferentes.» «Ai filha, desculpa lá, mas eu não fico descansada… não consigo, qualquer dia chegas a casa e não tens nada. Aquele pessoal é do piorio, estão à espera do momento certo para enganar, roubar e, quem sabe, matar.» «Percebo! Mãe, se vais continuar por esse caminho avisa-me já… prefiro sair antes, porque não te admito que fales do Filipe dessa forma. Ele é o meu melhor amigo, foi o único a estender-me a mão nos momentos em que mais precisei e nunca me exigiu nada em troca. Por isso, guarda os teus preconceitos para ti… eu nem quero sequer pensar no que vai dentro da tua cabeça, quanto mais ouvir o que tens para dizer. Bem, tenho que ir! Pai, eu depois ligo. Avó, eu prometo que volto cá para a levar a conhecer a minha casa. A verdade é que agora o ar nesta casa está irrespirável.»

Abençoada sejas!

Lá no fundo das memórias que quero recordar E não recordo!

Tantas voltas…

Vem ter comigo directamente! Sei que o queres. É esse o teu caminho. É esse o nosso caminho!

Que viagem!

Tudo parece apenas uma ilusão! Percorro caminhos escondidos no meio do nada… Um nada repleto do todo que me transporta para os teus braços. E será apenas ilusão Não sei quanto tempo mais consigo viver esta dúvida… Está a consumir-me as forças…

22.Novembro.2002

«Para mim, amor é a capacidade em adaptar-nos à pessoa com que vivemos e permitir que ela tenha o seu espaço, a sua liberdade dentro da relação. Amor é respeito mútuo. Sem isso, a disputa, a intolerância, a invasão de espaço será uma constante na relação.»

Desculpem lá! Eu sou assim!

Alguma vez chegaram ao final do dia e sentiram que nem valeria a pena sair da cama? Pois! É esse o sentimento que me preenche o ser. Entretanto o vazio do espaço foi corrompido pela voz barulhenta de uma mulher. Estava acompanhada de outras pessoas, se bem que ela, com a sua atitude bélica e estridente, ocupava os lugares todos daquele café.

Pobres coitados!!!

Estivemos por horas a falar em trabalho, saídas, homens, família, crenças… a crise e mais trabalho; falamos um pouco de tudo, como sempre acontecia quando nos encontrávamos. Isso acontecia poucas vezes. Somos amigas, gostamos muito uma da outra, se bem que somos muito diferentes e a maior parte das vezes acabamos por nos desentender. Essas pequenas questões quase sempre provocam alguns meses de afastamento. Naquele dia foi igual.

A lo mejor, te quiero! (2)

Fiquei furioso com ela. Perdi a cabeça. Fiquei mesmo furioso por me estragar a surpresa. Senti-me indesejado – esse sentimento não me deixou pensar e reconhecer que muitas vezes fez o impossível para estarmos juntos. Só pensava que estava a dificultar o nosso reencontro. Fiquei tão furioso que borrei a pintura toda. Magoei-a de uma forma estúpida e infantil. E mais ridículo é que tudo aconteceu por birra – a estupidez natural de um puto com a mania. Tanta mania que podem imaginar a minha cara quando a recepcionista me entregou aquele papel. Pensei em tudo, menos no que era de verdade. Era uma mensagem curta: "Estou lá fora. Elena”. Olhei incrédulo. A pobre mulher viu o desespero no meu olhar. Confirmou com a cabeça. Pedi licença e saí atrás dela.

Como uma sentinela!

Na manhã seguinte acordei com um sorriso na cara. Dormi a noite toda, sem sobressaltos e interrupções. Ao espreguiçar-me senti os membros a soltarem-se do peso… senti as pernas a ficarem mais leves. A contracção das minhas costas libertou uma energia boa, leve e estimulante. Há muito tempo que não sentia tanta vontade de sair da cama. Levantei-me, vesti a camisola… nesse momento apercebi-me que a minha camisola de anos tinha um toque suave, agradável e reconfortante. O que me surpreendeu mais foi a forma como saí do tipi. Nos dias anteriores pousava o joelho no chão. Naquele dia não o fiz. Foi inconsciente aquele movimento. Foi natural!

De volta a casa!

Foi na solidão que nos encontramos e reconhecemos! E é na solidão que nos reinventamos!

Dia de Lua Cheia

O Natal é uma época de paz, amor e gratidão! Paz de espírito… Amor-próprio e amor ao próximo… Gratidão por tudo o que temos, somos e o todo que a vida nos dá! Então, onde se encaixa a figura do Pai Natal?

A little girl called Wisdom

However, what scared the most was her loneliness. She was always alone, had no friends. The girls her age didn’t want to go out with her and still she was happy. Life was good to her, she was joyful, loving, peaceful. And that was awkward! How could they understand it?

A lo mejor, te quiero!

«Tenho. Certeza absoluta. Seria pior se ficasse com ele. Provavelmente iria acabar por dizer coisas que não sinto; posso até pensar, todavia não sinto. Seria um fim-de-semana horrível para mim e para ele.» – pausei por dois segundos – «Tenho que te pedir desculpa por tudo isto. Estou a impor a minha presença, a minha companhia. Não és obrigado a isto. Mal me conheces. Já te atrasei a viagem com aquela cena da tentativa de furto e agora ainda me carregas às costas… desculpa.»

Ami, a pequena casa velha

Ami entusiasmou-se de tal forma que abriu as portadas de madeira e todas as portas e janelas, convidando-os a entrar. Pelo ar entraram os pássaros, as abelhas e as borboletas. Por baixo deles, corriam os cães, os gatos, os esquilos, os coelhos e os ratos. As flores abanavam-se ao som da sua felicidade, enchendo o espaço com um aroma acre e doce. Também as árvores quiseram ver o que ali acontecia e, deixando que o sol iluminasse o seu caminho, vergaram-se de espanto sobre Ami.

E então?!

«Senhor Santos Camelo, bom-dia, fala Guilherme Sorriso, supervisor do serviço de apoio a clientes. Em que posso ajudá-lo?» «Vocês devem trabalhar muito aí! Devem, devem! Tanto tempo para falar com um “nergumo” qualquer? Palhaçada! Se fizesse o mesmo na minha empresa, já estava no olho da rua!» «Senhor Santos Camelo, em que posso ajudá-lo?» - voz firme e fria. «Não se ponha já com essas merdas, ouça-me primeiro! Vocês só estão aí porque eu vos pago o ordenado. Senão já estavam todos no olho da rua. Pode ser que os outros clientes “bos deixe” falar assim com eles, mas eu não alinho pelo mesmo “pasão”.» «Senhor Santos Camelo, como o senhor mesmo disse, nós trabalhamos muito neste call-center e por isso não podemos estar a perder tempo com insultos. Por isso, se pretende a minha ajuda, por favor vá directo ao assunto.»