O optimismo alimenta o sonho?

2018 é o ano da transformação. Ainda não terminou e já deu para perceber que a energia deste ano aponta um caminho de busca de sentido, em grande parte instigado pela crise de valores da sociedade contemporânea.
A crise de valores desvia-nos do nosso caminho, do que queremos verdadeiramente, da nossa confiança em alcançar as nossas metas, levando à descrença nos sonhos. Frases como “Sonhar para quê?” ou “Não vale a pena!” são ouvidas por todo o lado.
Compreende-se! Num mundo repleto de incertezas, de mudanças constantes e de um excesso alarmante de novos conhecimentos e de informação desconexa é fácil instalar-se a frustração. Afinal, deixamos de acreditar na nossa capacidade em transformar a vida em algo mais significativo.
Erro crasso! A vida é só por si significativa! Não precisa de ser transformada. Precisa sim de ser vi-vida de forma consciente, dedicada e confiante. Para isso existem os sonhos! Os verdadeiros sonhos apontam o caminho, a missão neste mundo. E através deles pode dar-se os passos certos para sair desta crise.
O caminho – o nosso caminho – clama por método, perseverança, vontade e por um estado de espírito inspirado numa filosofia de vida positiva e associado a uma postura interveniente, participativa, próprio de quem espera o melhor, contribuindo com passos concretos para atingir o desejado.
No caminho rumo aos sonhos surgem vários obstáculos para testar a nossa capacidade de acreditar na aspiração que nos move. A crise de valores pode bem ser um deles! É assim que nascem grandes feitos… nascem do sonho, da crença e de um estado de espírito que massaja a alma e empurra para a frente quando tudo parece perdido.
A história mundial é exemplo disso. Na era glaciar alguns povos da Ásia caminharam sobre gelo deixando atrás de si marcas de ligação entre a Ásia e a América. Colocaram à prova a própria cultura face às diferenças ambientais e geográficas que encontraram do outro lado da ponte. A verdade é que abandonaram a segurança do seu habitat natural e aprenderam a viver num habitat diverso, dando origem a uma nova civilização, a uma nova cultura – uma cultura diferente e enriquecida pelos obstáculos encontrados na viagem.
Mais tarde, os portugueses rumaram aos quatro cantos do mundo crentes na própria capacidade de o unir. Uns ficaram em África, outros na Ásia, outros ainda nas Américas. Levavam dentro de si a cultura portuguesa e, mesmo assim, adaptaram-se a climas, culturas e diferenças. A adaptação não foi fácil, nem pacífica, nem mesmo imediata. E depois? Não foi assim que se iniciou o processo de globalização que hoje vivemos? Parece então que os portugueses – com todas as adversidades – cumpriram a sua missão: uniram o mundo.
E hoje, a crise de valores apenas nos pede para que sejamos quem somos e caminhemos confiantes rumo aos nossos sonhos. Será possível sonhar e ser optimista no mundo de hoje, onde a crise de valores inflaciona os receios humanos e os conflitos mundiais constantes amedrontam as sociedades, desvendando assim um subdesenvolvimento psíquico, moral e intelectual dos povos mais desenvolvidos?
Não, não é possível. É determinante, é necessário, é um dever adquirido à nascença. Por que só as-sim é possível aproveitar as oportunidades trazidas por esta crise. Só assim é possível reverter o sub-desenvolvimento existente e minimizar os conflitos mundiais. E tal só acontece através da mudança de mentalidades, de formas de estar e de viver em comunidade através da adopção de uma postura mais optimista.
Posto isto, parece pertinente reflectir sobre o optimismo como alimento do sonho. O que é afinal o optimismo? O que é ser optimista?
Ao longo dos vários anos em que o optimismo foi estudado surgiram teorias contraditórias. A primeira vez em que foi referida a palavra optimismo foi numa revista do século XVIII, dirigida pelos Jesuítas de Trévoux, num artigo que defendia que o mundo actual é o melhor que pode ser criado onde mesmo o mal contribui para o triunfo do bem.
Desde então, o optimismo ganhou terreno dentro do campo da Psicologia, promovendo até o aparecimento da Psicologia Positiva, a qual demonstrou ao longo dos tempos que a qualidade de vida de-pende em grande parte do modo como se encara a realidade. Por outras palavras, a forma como se interpreta os acontecimentos determina o comportamento e as acções, condicionando assim o futuro.
Várias foram as definições apresentadas sendo a mais corrente a do antropólogo Tiger (1979), que refere que o optimismo é “uma disposição ou atitude associada a uma expectativa sobre o futuro material e social, que o avaliador olha como socialmente desejável para o seu proveito ou prazer”.
A verdade é que nem todos os estudos definiram este fenómeno como uma atitude. Ricardo Vargas (2006) entende que o optimismo é “uma emoção baseada em crenças e orientada para o futuro”, reduzindo o optimismo a uma crença que no futuro tudo ficaria melhor. Martin Seligman (1991), no seu livro “Learned Optimism”, definiu-o como “uma característica da espécie humana que influencia as emoções e o comportamento humano”. Desta feita, o optimismo é visto como uma característica cognitiva em relação a um futuro desejado e tido como de sucesso, se bem que tendo também uma forte componente emocional e motivacional.
Mais recentemente, Helena Marujo referiu durante uma entrevista ao Jornal Público que o “optimismo é uma característica individual que, embora possa ter algumas influências genéticas, pode ser apreendida e implica sempre a capacidade de ter expectativas positivas acerca do futuro e acreditar que o que está para vir é bom. Isto para além da capacidade de ver o melhor da vida. Mesmo nas situações mais problemáticas, desafiadoras e, até, dramáticas, o optimismo traduz-se na capacidade de retirar alguma aprendizagem e algum ponto positivo”.

Então, o que é ser optimista?
Do confronto das muitas definições apresentadas, pode concluir-se que o optimismo assenta sobre diversos pressupostos. O pressuposto do eu (conhecimento interior), o pressuposto do meio envolvente (conhecimento exterior) que são fortalecidos pela crença e estima pelo que se é, se faz e o que a vida nos dá. Desta forma opta-se pelo pensamento positivo, pela criatividade e pelo empenho. Por isso, ser optimista é:

Definir objectivos e metas, focando no que se pretende.
Fazer por alcançar os próprios objectivos, mantendo uma postura confiante e persistente ainda que se depare com uma ou mais dificuldades.
Saber que a forma como se olha, se interpreta e se sente a realidade influencia a mesma, por isso há que fazer por ver e esperar o melhor para se receber o melhor.
Ver o insucesso, o fracasso e o erro como uma excelente oportunidade de aprendizagem, por isso há que anotar, aprender e seguir em frente.
Gostar de si, apreciar-se e viver com entusiasmo.
Lidar de forma controlada com as próprias emoções, ouvindo mais do que fala e respeitando mais do que impõe.
Manter uma comunicação alegre, divertida, incentivadora e valorizadora da vida.
Ter sentido de humor, não receando rir das próprias desgraças, procurando encontrar algo de positivo.
Dedicar-se a transformar sonhos em realidade, recusando a ideia de um destino marcado e contrariando a cultura do desânimo, do desalento e da crítica destrutiva.

Parece assim oportuno dizer que o optimismo alimenta o sonho, uma vez que se trata de um estado de espírito que promove o crescimento global através do pensamento e comportamento positivo face a todas as situações da vida, se bem que associado sempre a uma atitude responsável perante a realidade. Enfim, o optimismo é uma desintoxicação mental, que permite viver de uma forma mais consciente.

Curiosidades

O gelado combate o stress
O gelado contém triptofano. Este aminoácido acalma e reduz a agressividade, aumentando assim a produção de serotonina – neuro-transmissor associado ao bem-estar (fonte: Centro de Medicina da Universidade de Maryland).

A natureza beneficia a saúde
O jornal Social Sciences & Medicine mostrou que as pessoas que vivem numa região com um alcance de 3 km de área verde possuem mais resistência aos impactos negativos na saúde causados por eventos estressantes.

As cores afectam o espírito
Para quem procura melhorar o estado de espírito e adoptar o optimismo e a alegria como filosofia de vida deve procurar unir ao pensamento positivo as cores que mais o sugerem. Neste caso, a cor ama-rela e a cor laranja potenciam e sugerem a esperança, o optimismo, a jovialidade, a boa saúde, a vitalidade, a alegria, a criatividade, a confiança, a coragem, a espontaneidade e a atitude positiva perante a vida.

O optimismo cresce com a dedicação
A dedicação ao outro ajuda a aumentar a auto-estima, a realização pessoal e o optimismo. Assim, ser voluntário pode ajudar a melhorar o bem-estar, visto consistir principalmente na partilha do que te-mos de mais precioso: amor, felicidade, sabedoria, conhecimento, tempo e humildade.

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