E que venha 2020!


É tão bom quando, do nada, aparece alguém que fala a mesma língua!
Que compreende o que sentimos e pensamos, antes mesmo de falarmos.
É tão bom ter alguém que, numa conversa fluída, termina os nossos pensamentos.
E faz sentido!
Penso que esta é a maior lição que retiro do ano de 2019.

2019 = 12/3
1 – Eu | 2 – Eu em relação com o Outro | 3 – Eu + o Eu em relação com o Outro

Curiosamente, um ano 3 – número da comunicação assente no Eu e no Eu em relação com o Outro.
E tendo em conta que este 3 surge do número 12, quase parece que esta lição está relacionada com o olhar para dentro e perceber o que é verdadeiramente importante para nós – este verdadeiramente importante é fundamental, já que por vezes temos como importantes crenças, pensamentos, emoções, sentimentos que a vida acaba por desvendar como ilusões.
Depois, é fundamental observar como somos com os outros e o que esperamos que os outros sejam connosco, para além de perceber até que ponto o que esperamos dos outros é assim tão importante.
E se tudo isso que vemos como fundamental na nossa vida é algo que vem acrescentar ao nosso ser ou se, pelo contrário, é apenas resultado do que aprendemos e vivenciamos até agora.

E o ano de 2019 mostrou-me isso mesmo…
Abriu-me oportunidades de tomar consciência do que é fundamental para mim.
A maior parte das coisas que deixei cair…
Ou aquelas que ainda estou a deixar cair, por que estão tão enraizadas que se torna impossível deixar cair rapidamente – aliás, nem seria saudável fazê-lo dessa forma…
Todas estão relacionadas com o orgulho!
Não falo de orgulho por alguém estar feliz ou por ter sucesso.
Falo do orgulho que nos leva a sentir necessidade de responder ou de reagir a determinados acontecimentos, apenas por afirmação.
Como se fosse preciso afirmar-me!
Essa ideia de afirmação pessoal só cabe num mundo em que as pessoas não se valorizam, não se amam e têm-se em menor conta que os outros. Por isso, sentem necessidade de afirmar-se como algo que acreditam não ser.
Assim que as pessoas acreditam que o são por inteiro, a presença delas é por si só uma afirmação!
O ano de 2019 permitiu-me fazer um flashback de certos momentos em que senti essa necessidade de me afirmar, de responder, de reagir, de contrariar algo que estava a ser dito, apenas para me afirmar.
Que fique claro que estou a falar de situações em que alguém me diz alguma coisa e eu sinto-me ofendida com o que foi ou está a ser dito. Por outras palavras, uma coisa é eu rejeitar uma responsabilidade que não é minha e estão a tentar passá-la para mim; outra coisa é eu sentir-me ofendida por algo que me foi dito. Estou a falar desta última. É neste tipo de situações em que, habitualmente, sentimos necessidade (quase como um impulso) de nos afirmar!
E porquê?
Sentimos necessidade de nos defender em relação a situações que nos obrigam a ver algo em nós que não queremos ver! Pois, só a sentimos quando identificamos o mínimo fundamento para o que está a ser dito.
Pelo contrário, se não virmos qualquer fundamento, desvalorizamos e bloqueamos em pensamento qualquer reacção impensada – algo do género “não faço a mínima ideia do que está a viver para sentir necessidade de dizer algo assim; o que sei de facto é que nada tem haver comigo”.
Agora, quando identificamos algum cunho de verdade em determinada farpa que é atirada na nossa direcção, habitualmente reagimos e sentimo-nos ofendidos, magoados, porque alguém está a verbalizar algo que não queremos reconhecer em nós.

2019 veio para ajudar a tomar consciência destes momentos…
Consciência fundamental para perceber que um relacionamento serve sempre para trazer à luz o melhor de cada parte, do Eu, do Outro e do Nós. Se correspondermos os números 1, 2 e 3 a cada uma destas partes, respectivamente, poderemos perceber que o Nós é apenas um terço da relação. Logo, um relacionamento saudável nasce do equilíbrio entre o Eu, o Outro e o Nós. Se por algum motivo, alguma destas partes se diminui em relação às outras, deixamos de ter o Nós, porque uma das partes deixou de existir, logo o Nós é uma ilusão, que ao mínimo impasse, se esfuma!
A verdade é que este equilíbrio não se atinge pela força, nem pela negação; atinge-se através da aceitação e da gratidão. Aceitação e gratidão por tudo o que a vida nos dá, por quem somos e o Outro é, pela autenticidade do Eu e do Outro. Relacionar-se é construir uma ponte entre essas duas essências – essa ponte é que vai permitir oscilar entre o Eu e o Outro, sem cair na ilusão.
Será tudo um mar de rosas?
Não!
Surgirão momentos mais difíceis de ultrapassar
Surgirão momentos mais felizes
Surgirão momentos de desarmonia
Surgirão momentos de harmonia
Claro que sim!
Isso é vivência!
Isso é a vida!
Há momentos em que, mesmo estando sozinhos, nos sentimos melhores e noutros piores!
E tudo acontece devido às vivências, às aprendizagens, às mudanças que estamos a empreender na nossa vida; devido a “cenas sem sentido” a que nos apegamos…
Tudo isso acaba por provocar oscilações na vida! Aliás, essa oscilação é sinal de vida.
Se olharmos para os monitores que indicam o batimento cardíaco e aparecer uma linha isso quer dizer que é o fim da linha. Vida existe quando há altos e baixos, quando essa linha oscila!
O que quer dizer que esses altos e baixos fazem parte da vida e há que aceitá-los e ser gratos por eles!
E viver!

2020 = 4
2 = Eu em relação com o Outro | 4 = Estrutura

Toda esta aprendizagem será essencial para o ano de 2020.
O 4 é o número da estrutura, do trabalho, se bem que seja um trabalho subtil.
Subtil porque é um trabalho silencioso e invisível e nada superficial.
Trabalho fundamental para atingir a harmonia do Eu em relação com o Outro, pois a estrutura do 4 está intimamente ligada ao 2.
A transformação que experienciamos em 2019 serviu para perceber o que é que faz sentido e o que não faz sentido na forma como nos relacionamos com os outros.
2020 é o ano para construir e criar a estrutura que pretendemos ter como alicerce do Eu em relação com o Outro. O que se pretende aqui é criar autenticidade no relacionamento com os outros! Criar uma partilha genuína.
O trabalho durante o ano de 2020 está relacionado com a forma como queremos comunicar com o Outro. Todavia, a comunicação interpessoal é um espelho da comunicação intrapessoal. O que quero dizer com isto é que se tivermos pensamentos negativos para connosco, teremos pensamentos, palavras, atitudes e comportamentos negativos para com o Outro. Se, pelo contrário, tivermos pensamentos construtivos para connosco, teremos um relacionamento mais criativo e construtivo com o Outro. Sem esquecer, que a energia que emanamos comunica de forma transpessoal, ou seja, sem uso de palavras, já que a nossa energia atrai ou repele por si.

Ontem, aconteceu-me algo inesperado no local mais inusitado e não posso dizer que a minha resposta tenha sido racional, foi uma resposta mais intuitiva, impensada. Em conversa com alguém sobre escrita, dei a conhecer este cantinho onde partilho convosco todas as semanas e convidei a ler e a comentar. Em tom de brincadeira perguntou: “comentários positivos ou negativos”. Sorri e respondi com a mesma leveza com que me questionaram: “o comentário pode ser negativo como pode ser positivo, desde que seja construtivo”.
Curiosamente, a minha resposta teve um efeito inspirador em mim e, quero acreditar que no Outro também. A verdade é que tomei consciência ali que todas as opiniões ou comentários que sejam feitos com a intenção de me acrescentar luz, sejam positivos ou negativos, serão sempre aceites com leveza e gratidão, pois são estas intervenções provocados pela vida que ajudam a desconstruir as máscaras que fui adoptando ao longo da vida para esconder a minha essência mais subtil.

Criar, construir é o caminho para mim!
2020 é assim o ano para me construir a mim e para criar em mim uma realidade que vá de encontro aos meus sonhos e valores, para aquilo que é verdadeiramente importante para mim!
E é essa a estrutura que quero construir no meu relacionamento com os outros!
2020 existe exactamente para isso.
E muitas vezes, sentimo-nos magoados, ofendidos e afastamo-nos de determinadas pessoas, sem perceber que aquilo que está a ser dito é o que é! Aquelas pessoas não são capazes de fazer diferente; fazem o que está ao seu alcance mediante a fase da vida, de aprendizagem, que estão a viver. Se não for construtivo, nada tem haver connosco. Se for construtivo, vem de alguém que quer verdadeiramente ajudar-nos a desvendar a nossa subtileza.
Por isso, há que tomar consciência que não somos responsáveis pelo que os outros dizem; nem os outros são responsáveis por aquilo que nós dizemos.
Aquela ideia de “vê lá o que me obrigaste a dizer”… (e aqui poderia dizer também fazer ou sentir)
Isso não existe! Isso é uma ilusão! É uma falácia!
E 2020 vem descobrir a comunicação intrapessoal, vem provocar uma comunicação interpessoal mais criativa, mais construtiva e vem transformar os relacionamentos, fortalecendo-os através de uma utilização maior da nossa capacidade de comunicar transpessoalmente…
A um nível mais subtil
A um nível com menos palavras
A um nível com menos acções
A um nível com menos sentidos
A um nível mais intuitivo.
E esta parece ser a maior força que 2020 tem!
Porque desconstruirá muitos castelos de areia…
Desconstruirá muitos castelos no ar…
Desconstruirá muitas ilusões…
Vai provocar muita desilusão!
Isso é construir!
Porque vai criar maior consciência sobre o caminho que queremos trilhar de verdade!
2020 será um abanão, se ainda não o sentimos em 2019.
Abanão que provocará algo tão simples como a tomada de consciência da direcção que queremos tomar e das lições que a vida nos dá a cada minuto, para além de estar cada vez mais atento a esses sinais que “caem do céu”, por vezes recebidos como uma bênção e outras como um castigo!
Que o teu 2020 seja maravilhosamente transformativo, porque é essa transformação que te permitirá a desvendar um mundo muito mais leve, alegre e genuíno!
Parabéns por tudo o que já alcançaste!

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