Como um guia

Depois da longa caminhada sob a companhia atenta dos raios dourados do rei dos céus, o fresco daquele banco era tudo o que precisava. Sentei o meu corpo cansado e suado, certa que ali poderia recuperar as minhas forças calmamente.

O tecto verde de folhas oscilantes denunciava a presença de uma leve e refrescante brisa que nos embalava ao som do saltar dos ponteiros do relógio da capela ali erguida há centenas de anos.

Sempre estranhei a construção de um parque para crianças ali naquele sítio, junto a uma capela onde habitualmente se velam os mortos, se bem que às crianças não parece incomodar.

Elas adoram um parque onde se sentem abraçadas e protegidas por todas aquelas majestosas de casco castanho e braços verdes decorados por pequenos salpicos de diversas cores e aromas.

Ali, onde eu vejo luto, as crianças vêm beleza; onde eu ouço choro, as crianças ouvem sinceridade; onde eu sinto estranheza, as crianças sentem amor; onde eu critico, as crianças aceitam; onde eu duvido, as crianças acreditam.

Os poucos minutos que ali estive, a observar aquelas miniaturas de gente a brincar livremente num parque colado às paredes caiadas daquele santuário que muitas vidas viu passar, apercebi-me que elas – as crianças – são os verdadeiros guias neste mundo, nesta vida.

Elas sim, sabem viver! Com elas aprendemos a viver livres… verdadeiramente livres de preconceitos, certezas e complicações, vivendo uma vida de experiências plenas de alegria e de natureza simples.

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