Bom, mau ou assim-assim… porquê?

O dia de hoje foi uma montanha-russa.
Conflitos sem sentido constantemente a esbarrar em mim.
Eu, sem forças, inexplicavelmente a deixar que me provocassem reacções intempestivas.
Apeteceu-me, por várias vezes, jogar tudo para o ar e desaparecer!
Virar costas sem pensar nas consequências e desaparecer!
Procurei abstrair-me e tentei mergulhar de cabeça no trabalho!
Disse tentei porque falhei! Não era capaz… melhor, estava incapaz de sair daquele labirinto estúpido – arre, que merda de vida, pensei!
Ao final do dia, já no meu limite, telefonei a uma amiga. Queria rir! E assim foi! Ri! Ri das peripécias dela com alguém que já cá não está; ri das palhaçadas da irmã gémea dela; ri das conversas cruzadas que ouvi entre ela, a irmã e as pessoas que passavam lá em baixo na rua; gozei com elas e rimos em conjunto.
A certa altura, ela disse algo a que respondi: «provavelmente, na barriga da tua mãe, a sensibilidade ficou toda do teu lado». Riu e disse que sim! A irmã ainda reforçou essa ideia, dizendo que ela é sensível demais!
Bem, esta conversa levou-nos às gargalhadas e a mais uma intuição, epifania, conclusão, tomada de consciência – chamam-lhe o que quiserem. Tal aconteceu por algo que lhe disse sobre ser sensível: «Ser sensível, por vezes, é bom e, por vezes, é mau!» – Silêncio do outro lado! Concluí eu: «Bem, como tudo na vida – tudo tem o lado bom e o lado mau!»
Curioso! Logo de seguida, perguntei: «Se tudo tem o lado bom e o lado mau, então porque é que estamos constantemente a julgar algo como bom ou como mau?»
«Pois!» – foi a resposta dela.
Naquele momento, passei em revista todo o meu dia. Passei o dia todo a julgar tudo como insuportável, conflitante, desesperante, irritante, horrível…
O dia todo!
Detestei tanto o meu dia, que não fui capaz de me concentrar no trabalho. Quase não conseguia respirar, tal era o ambiente pesado. Passei o dia a sentir-me presa no meio de um nada irritante e para quê, porquê?
Para nada! E apenas porque julguei o dia, as pessoas, o ambiente, a energia, as experiências, o momento como péssimo e, principalmente, porque não correspondeu às minhas expectativas!
E perguntam vocês, o que de bom tem uma situação destas?
Tudo e nada! Isso não é relevante!
O relevante nesta situação toda é o facto de necessitar de julgar os acontecimentos e, por esse motivo, o facto de permitir que esse julgamento me envenene o dia.
Verdade seja dita, há dias assim! Dias em que passamos o tempo a lidar com situações que irritam ou situações que apaziguam.
A vida é isto mesmo! A vida é experienciar as várias polaridades da energia que somos! São essas experiências polarizadas que nos libertam das amarras que insistimos em manter.
Porquê viver assim?
Porque razão precisamos julgar de a, b ou c o que nos acontece?
Essa definição altera a experiência de alguma forma?
Não!
A experiência continua a ser a mesma! O que pode mudar é a forma como a encaramos. Nem boas nem más, apenas são experiências que nos permitem descobrir novas camadas em nós mesmos! São experiências que nos inspiram a aceitar quem somos como somos e, consequentemente, a aceitar os outros exactamente como são, mesmo que – como dizia há pouco – decidamos virar as costas e desaparecer!
Afinal, nem isso – isso de virar as costas e desaparecer – nem isso é bom ou mau; apenas é experiência! Tudo tem o lado mau, mesmo quando parece bom. E o mesmo acontece no sentido inverso, quando parece mau, tem o lado bom. Por isso, de que serve catalogar os acontecimentos da vida?
Ter alguém que nos ajuda quando precisamos é bom, se bem que pode, ao mesmo tempo, ser mau, exactamente porque pode provocar em nós a ilusão de não sermos responsáveis pelos próprios resultados.
Enfim, experiencia a vida, recorrendo o menos possível ao acto de julgar; esse acto nem sempre é consciente, se bem que habitualmente limita a nossa acção consciente!

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