Delicadeza


Será que a delicadeza que julgamos no Outro depende da relação que temos com a pessoa que estamos a julgar?
Se olharmos à origem da palavra, percebemos que DELICADEZA é a junção da palavra DELICADO com o sufixo nominal EZA.
DELICADO tem origem na palavra latina DELICATUS, que significa atraente, agradável, luxuoso, atraído pelo prazer.
O sufixo nominal EZA tem origem latina, que ocorre em substantivos femininos abstractos derivados de adjectivos e exprime a ideia de qualidade ou estado.
Pensemos, então, ao nível deste significado:
Qualidade é uma característica, uma virtude ou condição natural de uma pessoa ou coisa.
O Estado é modo actual de estar, é a condição actual de alguém ou alguma coisa.
O que é atraente é o que atrai, é o que é encantador.
Agradável é o que agrada, que é amável, suave.
Luxuoso é o que é esplêndido, grandioso, generoso, tolerante, livre e que impressiona ou causa admiração.
Atraído pelo prazer é o que puxa para si a alegria, a felicidade, o bem-estar, a satisfação.
Então, delicadeza pode ser definida como a condição natural ou actual de ser agradável, encantador, amável, suave. Ou seja, delicadeza pode ser definida como a condição natural ou actual de impressionar pela generosidade, tolerância e liberdade. Delicadeza é, tão simplesmente, a condição natural ou actual de ser alegre e feliz.
Por outras palavras, delicadeza é a frequência em que vibramos quando nos relacionamos com o Outro. Essa vibração tem um efeito no Outro – o tal efeito de impressionar ou de criar admiração. E esse efeito de impressionar ou de criar admiração está relacionado com a forma como agimos, nada tem a ver com a pessoa com quem nos relacionamos.
Então, por que razão julgamos a delicadeza, mediante a pessoa que está envolvida num determinado evento?
Por que razão consideramos indelicado, alguém que não respeita o nosso tempo ou o nosso espaço e, numa situação similar de suposta indelicadeza, “arranjamos” justificações para não considerar indelicado algum amigo ou familiar?
Aliás, por que razão julgar o evento ou a pessoa?
Por que razão julgar o Outro?
Por que razão julgar os eventos da vida?
Por que razão julgar o Outro como delicado, indelicado, correcto, incorrecto, bom, mau?
Delicadeza é não julgar!
Delicadeza é impressionar ou criar admiração pela nossa capacidade de não julgar o Outro nem a nós mesmos!
Delicadeza é fluir!
É aceitar!
É respeitar!
É amar!
A nós mesmos e ao próximo.

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