A preocupação não faz sentido!


Praia!
Tudo o que eu preciso, depois de um dia como este!
Estacionei e fui de encontro ao mar.
Inspirei aquele aroma indescritível…
E numa expiração, deixei o corpo de encontro à areia húmida.
O sol estava fraco, quase a deitar-se para mais uma noite de descanso. Mesmo assim, o brilho da estrela maior obrigava os meus olhos a cerrar.
O aroma, o vento, o som das ondas e a luz descendente do sol empurraram-me para o vazio…
Desliguei por minutos…
Senti os ombros a deslizar para baixo;
Senti o coração a reduzir a velocidade a que vinha;
Senti a expressão contraída, por um dia desconcertante, a relaxar tecido a tecido.
Um toque trouxe-me de volta a esta realidade estranha de correrias e cobranças!
Perdi a noção do tempo e a família estava à minha espera!
Apressei-me ao retorno e à cobrança de mim mesma… cobrança, julgamento, crítica… chamem-lhe o que quiserem.
Vários pensamentos me vieram à cabeça – questionei aqueles breves minutos de encontro comigo mesma.
Pensei de imediato que provavelmente ficaram chateados ou magoados por não ter ido directo para casa, por estar na praia quando estão à minha espera.
“Será que pensam que não me sinto bem em casa?”
Fiquei preocupada com a reacção da minha família.
E essa preocupação levou-me a mais uma epifania.
Por que motivo pensariam que não gosto de estar em casa?
Por que motivo pensei eu que eles pensam isso?
Curiosa a forma como a preocupação nos faz julgar.
Este momento a sós beneficia o nosso tempo em casa, uma vez que potencia o meu bem-estar.
E quem me ama percebe que preciso desses momentos.
Por isso, por que razão pensei eu o que pensei?
Isto levou-me a perceber que a forma como percepcionamos e lidamos com os outros é um espelho da forma como nos percepcionamos e lidamos connosco mesmos.
Será que esse pensamento demonstra o meu pensamento, caso estivesse na posição da minha família?
Ou seja, será que se estivesse em casa à espera de alguém que passou na praia primeiro, eu pensaria o mesmo que penso que os ouros pensam?
É provável!
Curiosamente, todo este julgamento, toda esta pré-ocupação do bem-estar dos outros, levou-me à perda daquele momento magnífico que estava a viver. E aquele momento não volta!
A preocupação não faz sentido!
Mais importante do que pré-ocupar-nos com algo, é aproveitar para saborear o momento e apreciar a companhia que temos a felicidade de ter.

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