Guerra dos sexos: inconsciência


Guerra dos sexos…
Homens de um lado…
Mulheres do outro…
Críticas de lado a lado…
Comparações desmedidas a todos os níveis…
Inconsciência generalizada…

E ao que parece, tudo isto leva a “tentativas frustradas de relacionamentos amorosos”.
Foi assim que no primeiro texto lancei o mote para uma reflexão tripartida sobre os pressupostos em que assenta a guerra dos sexos: “(1) julgamento; (2) comparação; e (3) inconsciência”.

E porquê julgamento, comparação e inconsciência?
Sempre que um homem ou uma mulher faz uma crítica sobre o seu oposto, habitualmente, fazem um julgamento comparativo, pois o julgamento está dependente do pensamento de cada um, como homem ou mulher. E quando comparam, julgam também.
Por outras palavras, quando dizemos que H é machista estamos a partir do pressuposto que M não o é – neste caso temos um julgamento comparativo. Quando dizemos que os homens são mais objectivos do que as mulheres, estamos a comparar dois julgamentos que fizemos sobre a objectividade ou subjectividade do homem e da mulher.
Destes dois já falamos muito, nos últimos artigos. Hoje, vamos reflectir sobre o terceiro pressuposto: a inconsciência. Deixei para último, não por ser menos importante e, sim, por ser esta a condição necessária para que o julgamento e a comparação se desenvolvam.
A inconsciência é o habitat preferido do julgamento e da comparação, já que estes nascem e desenvolvem-se quando não temos consciência de quem somos, do nosso valor e de algumas crenças que nos motivam ao julgamento e à comparação.
Se estivermos conscientes, verdadeiramente conscientes, de quem somos e do nosso valor, esvaziamos a necessidade de julgar o Outro. Aceitamos o Outro por aquilo que ele é, em vez de nos ficarmos pela percepção que temos dessa pessoa e, muitas vezes, apenas por se parecer ou ser o contrário de outra pessoa, que não gostamos ou gostamos.
Não interessa o género…
A inconsciência é transversal aos géneros!
Talvez por isso, exista tanto conflito entre géneros e, mesmo numa sociedade dita evoluída, ainda persista a chamada guerra dos sexos.

Pensem comigo…
Há crenças, ainda hoje, que nos empurram para a referida guerra.
Essas crenças continuam a ter um impacto profundo na forma como nos relacionamos com os outros, em especial entre homens e mulheres.
Esse impacto apenas existe, porque não temos consciência do quão vazias são.
E são propagadas de geração em geração como regras inquestionáveis para vivermos uma vida segura e feliz.
Será?
Será mesmo inquestionável?
Será mesmo para nossa segurança e felicidade?
Quantas vezes te disseram que o homem e a mulher são opostos?
Quantas vezes te disseram que os opostos se atraem?
Quantas vezes te disseram que o homem é forte, nobre e deve dominar?
Quantas vezes te disseram que a mulher é frágil, sensível e deve obedecer ao homem?

(1) O homem e a mulher não são opostos, são diferentes. Como seres somos iguais, ou seja, somos energia, somos vida, somos compostos pela mesma energia.
E, se olharmos apenas à energia, a energia não tem polaridades. No entanto, a forma que adoptamos é que pode ter polaridade: pode ser mais densa, mais subtil, mais negativa, mais positiva, mais feminina, mais masculina.
E será que a polaridade é uma oposição ou será apenas uma diferença?
Imaginem uma pilha.
A pilha é um contentor de energia. Esse contentor tem um pólo negativo e um pólo positivo. A energia que contém só é libertada quando o pólo positivo se liga a um pólo positivo externo à pilha e o pólo negativo se liga a um pólo negativo, também este externo à pilha. Por outras palavras, cada pilha tem dois pólos, positivo e negativo. Estes têm que estar em contacto, ligação directa com outro equipamento que também tenha dois pólos, positivo e negativo, para existir transmissão de energia.
O pólo positivo tem a função de dar o impulso para a libertação de energia acontecer. O pólo negativo serve de tampão, para evitar o desperdício de energia. Por exemplo, a bateria de um carro tem pólo negativo e pólo positivo; o pólo negativo fica ligado ao chassi do carro e o pólo positivo fica ligado ao motor; desta forma, a energia impulsionada pelo pólo positivo é utilizada pelo motor do carro, em vez de ser desperdiçada pelo seu metal.
Que vos parece, oposição ou diferença?

(2) O homem e a mulher não são opostos que se atraem. Como dissemos no ponto anterior, o homem e a mulher são diferentes. Eles não se atraem nem se complementam. São completos por si, pois são energia com ambas as polaridades e fortalecem-se mutuamente.
Por outras palavras, somos energia que adopta um contentor específico, seja corpo de mulher ou de homem. Aqui surgem as diferenças mais imediatas e visíveis entre géneros. Mesmo assim, esse contentor tem as duas polaridades, positivo/masculino ou negativo/feminino. E é através dessas polaridades que se expressa.
Pode parecer que ao adoptar um corpo de homem ou de mulher está a provocar desequilíbrio, no entanto as polaridades do contentor continuam a ter a mesma função. A polaridade positiva continua a ter a função de dar o impulso para a libertação de energia acontecer e a polaridade negativa continua a servir de tampão, para evitar o desperdício de energia. Todavia, o contentor é diferente, logo a energia é libertada de forma diferente.

(3) Nem homem nem mulher é mais forte ou frágil, sensível ou insensível, controlador ou controlado, apenas por adoptar um determinado contentor!
A energia é a nossa essência!
O corpo é o contentor que adoptamos para conter a energia que somos!
A personalidade demonstra o alinhamento entre polaridades que adoptamos para expressar a nossa energia/essência através do nosso contentor/corpo.
Há homens que têm uma personalidade mais feminina, tal como há mulheres que têm uma personalidade mais masculina. Há homens mais emocionais e mulheres mais racionais. Há homens mais subjectivos e mulheres mais objectivas.
Será um homem com uma personalidade mais feminina, menos homem?
Será uma mulher com uma personalidade mais masculina, menos mulher?
Se olharmos para um ser e percebermos que todos têm o lado masculino e feminino, vamos perceber também que quando um ser adopta uma forma mais masculina ou feminina de se expressar, quer dizer que o seu outro lado, feminino ou masculino, se adaptou para permitir que o outro seja mais forte. Essa adaptação não é demonstrativa de menos masculinidade ou feminilidade. Essa adaptação é demonstrativa de maior aceitação, conhecimento de si mesmo e desenvolvimento do seu potencial. Por isso digo, as polaridades fortalecem-se mutuamente.

A verdade é que, ainda hoje, não é expectável que um homem seja emocional, da mesma forma que não é expectável que uma mulher seja objectiva.
São séculos e séculos de ideias pré-concebidas do que um homem deve ser ou do que uma mulher deve ser, por isso julgam-se menos, comparam-se com aqueles que acreditam ser mais e escondem-se atrás de máscaras ilusórias e acusações infundadas.
Conflitos internos, problemas de saúde, distúrbios emocionais e mentais, insegurança, agressividade, dificuldade de relacionamento são resultados desta não-aceitação de quem somos, da inconsciência da maravilhosa conjugação energia-contentor-polaridade ou essência-corpo-personalidade que somos!
Se transpusermos a ideia de energia/contentor/polaridade para as relações humanas, podemos perceber que a relação é o canal em que dois contentores partilham energia, se relacionam. No entanto, para que seja possível uma relação em harmonia entre um homem e uma mulher será necessário que existe consciência da combinação mágica que cada um de nós é!
Quando tomamos consciência dessa magia e permitimos que se harmonizem, se abracem, se equilibrem, passamos a viver sem medo, sem exigências, sem contrapartidas, sem exageros, sem julgamentos, sem comparações e, verdadeiramente felizes!

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